olhares

Sábado, Fevereiro 10


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Gilberto Gil discute proposta de registro do frevo como patrimônio cultural

Agência Brasil

Brasília - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, participa hoje (9), às 15 horas, na Sacristia da Igreja de São Pedro dos Clérigos, em Recife, da 52ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural Brasileiro. O objetivo é discutir a proposta de registro do frevo como patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e o pedido de tombamento da Casa de Vidro, em São Paulo. Nesta

O Conselho Consultivo é presidido pelo presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, e é composto por 18 representantes da sociedade civil.

Após a reunião, o ministro e o presidente do Iphan anunciarão o resultado da votação. Estarão presentes o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o secretário de Cultura do estado, Ariano Suassuna, a prefeita de Olinda, Luciana Barbosa de Oliveira Santos, e o prefeito de Recife, João Paulo Lima e Silva.

A partir das 20 horas, haverá o show 100 anos do Frevo, na Praça do Marco Zero, com diversos artistas da música brasileira.

As atividades fazem parte da Feira Música Brasil, que reúne até domingo (11) em Recife investidores, músicos, especialistas brasileiros e estrangeiros. A promoçãoé do Ministério da Cultura e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


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Enfim a petetização do governo Lula!

A vitória de Arlindo Chinaglia leva o nosso presidente a ter um relativo e quase afetivo conforto político. Se delineia novamente a petetização do governo federal. O nosso Barbudo presidente deve está sorrindo para as paredes e para Marisa, principalmente e conçando as orelhas(uma pulgona atrás da orelha). depois de tantas bordoadas da direita na eleição passada, que vitimou o "primeiro ministro" José Dirceu, o chefão Jenuíno, e o Bigode Mercadante e o além-de-médico -ministro- da -Fazenda.
a vitória de Chinaglia significa que o PT está recuperando espaço;que terá maior poder nas decisões políticas e até benefícios na distribuição de cargos!
Mas... essa vitória pode significar que a ala petista da gema vai colocar Lula na linha(do trem)da política + petista.
E... também o fortalecimento da candidatura de Ciro Gomes, com apoio de Aldo Rebelo, que não gostou nada destra disputa!
Lula que se cuide!


Quinta-feira, Fevereiro 8


Perspectivas para o socialismo na América Latina
No FSM, Plínio de Arruda Sampaio e Atílio Borón afirmam que não há democracia sem socialismo e que o futuro socialista chegará mais rápido do que se pensa
Michelle Prazeres Intervozes - Ciranda


Espaços temáticos/Outras seções: Política e lutas








¿Democracia e capitalismo são incompatíveis. Falar em democracia capitalista é o mesmo que dizer 'círculo quadrado'.¿ Atílio Borón


¿Vamos construir o socialismo do século XXI. E será mais rápido do que se pensa.¿ Plínio de Arruda Sampaio


¿Não precisamos de programas reformistas, mas de soluções socialistas.¿ Plínio de Arruda Sampaio


O socialismo na América Latina vive e tem um futuro que está chegando aceleradamente. Por isso, é preciso construir formas ideológicas e organizativas de responder a ofensivas imperialistas que seguramente tentarão sufocar esse movimento, que acontecerá de forma mais acelerada do que se pensa. Misturando uma densa reflexão e muito entusiasmo ¿ acompanhado por calorosos aplausos de cerca de 500 participantes do Fórum Social Mundial, que acontece em Caracas, Venezuela ¿ Plínio de Arruda Sampaio, Atílio Borón e Michel Lowy afirmaram ¿ em atividade que abordou as perspectivas do socialismo no século XXI ¿ que, dentro do sistema capitalista, a América Latina está condenada a ser colônia dos Estados Unidos e que, para superá-lo, a solucão está no socialismo: um socialismo de princípios universais, mas com formas próprias de respeito a diversidades dos povos, um socialismo feminista, ecológico, ambientalista, negro, indígena, que articule os diversos sujeitos políticos latino-americanos, se reinvente, resignifique conceitos, reveja práticas e reconstrua o seu projeto.

¿Não se trata de esperar que o capitalismo venha abaixo implodido por suas próprias contradições, mas sim de reconstruir um projeto, que incorpore a riqueza das lutas dos movimentos. Resumidamente, isso seria a extensão do princípio democrático para todas as outras esferas¿, explica o sociólogo Michel Lowy, que citou Rosa de Luxemburgo para lembrar que não existe socialismo sem revolução, sem democracia e sem liberdades (de expressão, política, de imprensa).

A professora Ana Esther, da Universidade do México, lembrou a importância do resgate do termo socialismo, ¿retirado do vocabulário pelo pensamento dominante que agora regressa com forca e resignificado, para ser discutido¿. Segundo ela, é preciso entender que a proposta de construção socialista tem o desafio de se articular a outras existentes. ¿O mundo ganhou uma nova complexidade com as transformações que sofreu nas últimas décadas, e a política precisa acompanhar essas complexidades. As formas de organização não são mais as mesmas e os partidos políticos como formas de representação sofreram questionamentos, por sua não flexibilidade e por seu caráter pouco adaptável. Alem disso, o neoliberalismo se construiu com base numa pobreza crescente e numa resistência sufocada, quase sempre invisível. Para fazer frente a essa força, é preciso conceber uma sociedade menos unidirecional¿, diz.

O acadêmico argentino Atílio Borón sugere algumas formas de resposta a essa nova complexidade trazida por Ana Esther. Afirma que não se pode dizer que as experiências socialistas na América Latina foram fracassadas. ¿Essa é uma idéia pessimista e desmobilizadora¿, diz. Segundo ele, houve derrotas, mas não fracassos. ¿Vejam os exemplos do Chile e de Cuba¿, continua. Para o professor, é preciso construir a luta baseada em três pilares: valores, projeto e sujeito histórico. ¿O valor da justiça social é superior a qualquer uma dessas idéias burguesas de superávit primário, risco país ou crescimento das exportações. Não há democracia possível sem socialismo e se há capitalismo não há democracia. Falar em democracia capitalista é o mesmo que dizer 'círculo quadrado'¿. O novo projeto socialista, para Borón, é aquele citado por Lowy: não pode ser indiferente ao meio ambiente, às mulheres e às nacionalidades. ¿Deve estar de acordo com as condições concretas que nos coloca o capitalismo.¿ E os sujeitos da transformação, para Borón, devem ser muitos. ¿Hoje, não existe mais aquela idéia clássica de proletariado. O universo assalariado se expandiu e tomou novas formas. Há novos e muitos sujeitos emancipadores, e o projeto socialista tem que articulá-los¿, diz.

Plínio de Arruda Sampaio afirma que essa construção está em marcha. ¿Estava esses dias revisando nossas plataformas da década de 60. Vi muita coisa em comum com nossas lutas de hoje. Não podemos manter as mesmas plataformas. Elas não são mais factíveis hoje¿, diz. ¿Por exemplo, não podemos mais exigir somente a reforma agrária. Precisamos de um novo modelo agrícola. Não precisamos de programas reformistas, mas de soluções socialistas¿, complementa.

Sampaio reflete sobre a conjuntura da América Latina e afirma que é preciso, nessa construção, pensar em novos programas, reverter a passagem de uma economia de fora que introduziu uma nova dinâmica, uma nova racionalidade que obriga a população a modificar seu modo de atuação na economia e conseqüentemente na sociedade. ¿Existe uma dominação cultural que nos oprime e nos impõe a impressão de que é preciso se adaptar a esse novo mundo, porque ele é uma fatalidade¿, diz. Para ele, é preciso reverter esse pensamento e reafirmar a autonomia dos países. ¿Sofremos uma reversão neocolonial. Aceitar imposições norte-americanas a nossas indústrias não é uma atitude de uma nação autônoma¿, afirma o professor, lembrando o caso de proibição da venda de aviões da Embraer para a Venezuela, por conta de um componente do veículo ser norte-americano.

¿Precisamos fazer frente a todo tipo de ameaça imperialista¿, diz Sampaio. ¿E impedir que tropas norte-americanas se estabeleçam em territórios da América Latina.¿ Para ele, as esquerdas tradicionais fizeram uma opção pelo ¿melhorismo¿ e aceitaram a idéia de que é impossível se livrar do imperialismo. ¿Parece que o papel do socialismo é promover algumas melhorias e mudar o que virou um mito, que é a tal da correlação de forças¿, diz. ¿Esse é um fenômeno complicado. Se não há correlação de forças, não há possibilidade de transformação? Fica a sensação estranha de que defendemos idéias há anos e que, quando finalmente chega a hora em que aparentemente ganhamos, não podemos colocá-las em prática.¿

Elencando esses desafios e listando alguns avanços (citando os casos da Venezuela, de Cuba, do crescimento da consciência indígena e campesina), Sampaio afirma que o novo nasce do velho. ¿E estamos construindo o novo socialismo na América Latina.¿ Para ele, é fundamental se capacitar estrategicamente e, numa luta prolongada, articular-se regional e mundialmente, organizar campanhas comuns, tomar nas mãos a proposta da Alba (Alternativa Bolivariana para la America) feita por Hugo Chávez e reformular programa propondo soluções efetivas fora do marco capitalista. ¿Não podemos mais, por exemplo, exigir educação de qualidade e com financiamento adequado. Precisamos exigir educação pública e de qualidade para todos e todas¿, diz. ¿É preciso criar uma contracultura capitalista e os partidos, para dar conta disso, deveriam ser cada vez mais plurais e trabalhar para a construção de um consenso e não para a imposição da maioria¿, conclui.

Borón concorda que algumas dessas mudanças estão em marcha e conclui advertindo: ¿Vamos ter que enfrentar formas violentas e não-violentas, legais e ilegais de pressão. Serão formas sofisticadas, promovidas, por exemplo, por uma imprensa tendenciosa e defensora de interesses particulares. A conjuntura de construção de alternativas ao capitalismo vai passar por momentos aguerridos de oposição de outros setores que vão usar todos os recursos para sabotá-la. Precisamos de armas ideológicas e organizativas para fazer frente a essa ofensiva.¿



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