olhares

Quinta-feira, Novembro 22



Miss Minas Terrestres Angola 2007





Criado por artista norueguês Morten Traavik, em Angola realiza estes dias o concurso de beleza Miss Minas Terrestres Angola 2007 . Angola é dos países mais minados do mundo, com cerca de seis milhões de minas ainda por detonar.
Estes engenhos matam mais de 10 pessoas por dia e mutilaram já cerca de 70.000 cidadãos, impedindo todo um povo de recomeçar a sua vida com normalidade. Traavik visitou diversos centros de reabilitação no passado mês de Fevereiro, procurando candidatas a Miss Landmine sob o slogan "Todos temos direito a ser belos". Traavik chama ao projecto uma mistura de arte e missão humanitária recebendo já um subsídio avultado do Conselho de Arte norueguês.
No manifesto de imprensa, Morten Traavik chama atenção para diversos objectivos desta iniciativa, nomeadamente a chamada de atenção local e global para o problema das minas terrestres, questionar os conceitos pré-estabelecidos de perfeição física, celebrar a beleza verdadeira e substituir o termo "vítima" por "sobrevivente".
Vários bloggers já se manifestaram sobre o assunto, acusando Traavik de explorar as mulheres africanas de uma forma repulsiva. Alguns disseram ainda que o dinheiro angariado para o concurso poderia ter sido utilizado de outra forma, fornecendo benefícios que permitissem alguma qualidade de vida e autonomia às vítimas.
Quanto a mim, todos os meios são bons para impedir que o mundo dito "civilizado" se esqueça do que se passa nestas regiões - particularmente nestas com quem temos fortes ligações.
Quem quiser participar na votação só tem de clicar aqui e votar na sua preferida até 27 de Novembro de 2007.
Por Lyuba Lulko


Fonte: Pravda



Número de meninas com o vírus HIV já é maior que o de meninos entre 13 e 19 anos de idade



Brasília - A presença do vírus HIV nos jovens com idade entre 13 e 19 anos mudou de sexo na última década. Em 1997, havia 273 meninos e 258 meninas infectados pelo vírus. Em 2006, eram 223 meninos e 368 meninas contaminadas.

Os dados fazem parte do Boletim Epidemiológico Aids/DST, divulgado hoje (21) pelo Ministério da Saúde.

A mudança se deve principalmente a fatores sociais, avalia a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão.

Segundo ela, estudos de comportamento mostram que, nas relações sexuais eventuais, 80% dos meninos usam preservativo e apenas 40% das meninas exigem o uso da camisinha.

“Temos um trabalho muito grande para conscientizá-las e romper barreiras socioculturais que dizem que uma menina não pode sair para uma festa com preservativo na bolsa sob risco de ser mal interpretada. Ela não leva e, na hora H, não tem para usar”.

O boletim mostra que, em todas as faixas etárias, o número de mulheres contaminadas tem aumentado.

Em 1985, a cada 15 homens infectados havia uma mulher contaminada. Em 2006, a relação passou de 1,5 homem a cada uma mulher.

A maior parte dos casos de contaminação no país concentra-se na faixa etária de 25 a 49 anos, tanto em homens como em mulheres.

Mas tem aumentado o número de pessoas infectadas que têm mais de 50 anos de idade. Em 1996, eram 1.257 pessoas com idade entre 50 e 59 anos. Em 2006, esse número passou para 3.154


Fonte: Agência Brasil



Estudo mostra diferenças regionais nos casos de morte por aids no país




Brasília - As Regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste do país apresentam o maior percentual de mortes de pessoas infectadas pelo vírus HIV até um ano depois da descoberta da doença.

Enquanto no Brasil a média de morte nesse período é de 6,1% dos casos, essas regiões têm percentuais de 13,9%, 12,7% e 12,1%, respectivamente.

Os dados fazem parte do Boletim Epidemiológico Aids/DST, divulgado hoje (21) pelo Ministério da Saúde. O estudo também mostra uma tendência de queda no número geral de casos de aids no país desde 2002.

Naquele ano, foram notificados 38,8 mil casos. Dados preliminares de 2006 registram 32,6 mil casos.

A região Sudeste registrou o maior percentual de pessoas que continuaram vivas cinco anos após terem detectado a infecção por HIV: 90%. No Norte, esse percentual foi de 78%; no Centro-Oeste, 80%; no Nordeste, 81%; e no Sul, 82%.

Hoje também foram apresentados os dados mundiais sobre a doença, pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids).

Estima-se que existam, atualmente, 33,2 milhões de pessoas com HIV em todo o mundo. Em 2007, a previsão é que tenha ocorrido 2,5 milhões de novas infecções e 2,1 milhões de mortes pela doença.

Fonte: Agência Brasil



Problema de Camões era falta de mulher...


Os candidatos da Universidade de São Paulo deram a sua interpretação ao seguinte trecho de um poema de Camões:
" Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer ".


Uma vestibulanda de 19 anos deu a sua interpretação em forma de poesia:
"Ah! Camões,
se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão..
Compravas um computador,
consultavas a Internet e descobririas
que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!"


De acordo com a fonte BrasilWiik!, Lorena Lee ganhou nota dez. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher...



fonte: Pravda. RU


Domingo, Novembro 18




Britânica de 24 anos atinge 200 orgasmos por dia


Britânica de 24 anos, Sara Karmen sofre da síndrome, que leva ela atingir 200 orgasmos por dia.
O barulho do comboio, o som do secador eléctrico para o cabelo e fotocopiadora – tudo isso faz com que a menina sinta o orgasmo. Somente durante os 40 minutos da entrevista a Sara, por exemplo teve 5 orgasmos, segundo as informações no jornal News of the World.
Sara Karmen sofre da Síndrome de Excitação Sexual Persistente (a sigla em inglês é PSAS), ela fica excitada por grandes períodos de tempo mesmo sem ter um estímulo sexual.
“As vezes tenho muitas relações sexuais na tentativa de acalmar-me, mas o meu namorado aborrece-se, pelo facto de atingir o orgasmo com facilidade” – conta a Sara.
A moça disse que, a síndrome aumentou depois de ela completar os 19 anos, quando foi receitado antidepressivo. “Seguido de algumas semanas passei a sentir cada vez mais excitações. Tudo começou na cama, e o meu namorado estranhou a quantidade de orgasmo que eu atingia durante o acto sexual. Mais tarde, isso passou a acontecer no trabalho, quando passeio e e,t,c. Eu lembrava do sexo, excitava e sentia os orgasmos. Em 6 meses eu consegui 150 orgasmos por dia, e as vezes até chegava 200”.
Sara separou-se do seu namorado e o novo dificilmente consegui satisfaze-la. “Muitas vezes queria atingir a quantidade necessária de orgasmos para acalmar-me. As vezes, queria ter uma vida normal como todos”, - diz a Sara.
Tradução Dério Nunes

fonte: ">pravda.Ru



1705FP723.jpgBrasília - O delegado Ricardo de Castro Galvão, de Varzedo (BA), participante da 13ª Conferência Nacional de Saúde faz manifestação contra o aborto durante realização da última plenária do evento Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Delegados da Conferência Nacional de Saúde rejeitam descriminalização do aborto


Brasília - Os delegados com direito a voto na 13ª Conferência Nacional de Saúde, que termina hoje (18) em Brasília, decidiram excluir do relatório final do encontro a recomendação da proposta de descriminalização do aborto.

Por ampla maioria, os 2.627 delegados presentes à plenária final votaram pela supressão da proposta de política pública. Quem votou a favor do texto foi vaiado. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior, pelo menos 70% dos participantes rejeitaram a proposta.

A sessão foi marcada pela confusão em torno da redação final da proposta, que excluiu a palavra aborto. O texto trazia a seguinte citação: “Assegurar os direitos sexuais e reprodutivos, respeitar a autonomia das mulheres sobre seu corpo, reconhecendo-o como problema de saúde pública e discutir sua descriminalização por meio de projeto de lei”.

Segundo os participantes da conferência, a menção ao aborto estaria na referência sobre o corpo feminino. A redação foi contestada pelas entidades contrárias ao aborto. “A modificação do texto não foi feliz. Não foi de acordo com o que tinha sido votado na plenária estadual de São Paulo”, afirmou o gestor de Relações Institucionais da Pastoral da Criança, Clóvis Boufleur.

Apesar das críticas, Boufleur comemorou a rejeição da proposta. “Essa posição reflete o pensamento do povo brasileiro”, avalia o representante da Pastoral da Criança. “Pesquisas mostram que mais de 60% do povo brasileiro é contrário ao aborto, à penalização da vida.”

Coordenador do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal do Ministério da Saúde, Adson França disse que a derrubada da proposta não correspondia às expectativas do ministério. “A rejeição causou muita estranheza porque a proposta passou em mais de oito plenárias temáticas, com mais de 300 delegados cada”, explicou.

Para França, o principal problema talvez tenha sido a falta de tempo para negociar. “O horário da votação, no início da sessão, talvez não tenha sido oportuno”, diz.

O tratamento do aborto como questão de saúde pública, com a descriminalização da prática, tinha sido encaminhado por dez estados. Nos dois primeiros dias da conferência, a questão dividiu os delegados. Das dez plenárias prévias realizadas até sexta-feira (16), seis haviam encaminhado a decisão para a plenária final, três haviam aprovado e uma, rejeitado a proposta.

A decisão da conferência não tem efeito legal, mas é tida como um importante indicativo da sociedade para o Congresso Nacional, onde tramitam vários projetos sobre o aborto, um deles há 16 anos.

Fonte: Agência Brasil




Países no ranking das Diferenças entre os Sexos


Atrás de Cuba, Colômbia, Panamá, Argentina, El Salvador e Venezuela, entre outros, o Brasil ficou em 74Є posição no índice de Diferenças entre os Sexos, elaborado pelo Fórum Económico Mundial e divulgado ontem em Nova York, nos Estados Unidos. Em relação ao ano passado, o país caiu sete pontos, porem seus dados permaneceram estáveis – a queda aconteceu por causa da entrada de novos países no ranking. Em resumo, não houve grandes avanços, tampouco retrocessos na igualdade entre homens e mulheres brasileiras. De acordo com o estudo, o Brasil segue uma tendência de melhoria na saúde, mas ainda está longe no que se refere educação e salários, por exemplo, segundo o Correio da Bahia.
O estudo, elaborado todos os anos, leva em conta dados de acesso ao sistema de saúde, mortalidade infantil, acesso а educação e nível de escolaridade, posições em cargos públicos importantes e de chefia, além dos valores dos salários em 128 países de todos os continentes, que representam cerca de 90% da população mundial. Pelo relatório, os países nórdicos (Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia) são os que apresentam maior igualdade de acesso e direitos entre homens e mulheres. Já a maior desigualdade aparece nos países islâmicos, como Tunísia, Turquia, Marrocos e Arábia Saudita. Logo abaixo aparecem Nova Zelândia, Filipinas, Alemanha, Dinamarca, Irlanda e Espanha. Já os Estados Unidos, em 31є lugar, estão numa posição diferenciada: dos países ocidentais, de acordo com o relatório, foi um dos que garantiram maior poder político аs mulheres. Mesmo assim, a diferença entre salários ficou maior.
A França também está destacada como um caso particular, mas desta vez positivo: o país continua avançando em educação e saúde, e melhorou bastante a relação entre seus índices de participação trabalhista masculina e feminina, pulando, em um ano, de 70є para 51є. A América Latina começa a aparecer a partir da 22Є posição, com Cuba. Depois, aparecem Colômbia (24є), Costa Rica (28є), Argentina (33є), Panamá (38є), Equador (44є), El Salvador (48є), Venezuela (55є), República Dominicana (65є), Honduras (68є), Paraguai (69є), Brasil (74є), Peru (75є), Uruguai (78є) e Bolívia (80є). O economista Ricardo Haussman, um dos analistas do relatório e diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, disse que o índice “não deprecia os países com um nível de educação baixo, mas os que distribuem de maneira desigual a educação entre homens e mulheres”. (AE)
fonte: Pravda





Saiba mais sobre o caso Renan Calheiros




Brasília - O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltará a ser julgado em plenário por quebra de decoro parlamentar. Agora em sessão aberta, com acompanhamento ao vivo pelos veículos de comunicação.

A intenção do presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), é que o projeto de resolução que recomenda a cassação do mandato de Renan pelo Conselho de Ética seja votado no dia 22.

Leia abaixo a cronologia do caso Renan

Primeiro processo:

29/5 - P-SOL entra com representação no Conselho de Ética para investigar a denúncia publicada pela revista Veja, segundo quem, Renan Calheiros teria contas pessoais pagas pelo funcionário da empresa Mendes Júnior, Cláudio Gontijo.
6/6 - Conselho de Ética decide investigar Renan.
2/7 - O presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que assumiu o cargo após a renúncia de Sibá Machado (PT-AC), devolve à Mesa Diretora processo contra Renan. Alega "vício de origem", uma vez que representação não foi votada pelos integrantes da mesa.
3/7 - Mesa Diretora considera representação procedente e devolve processo ao Conselho de Ética.
5/9 - Conselho de Ética aprova o relatório de Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) pela cassação de Renan. Almeida Lima (PMDB-SE), também relator do processo, apresenta relatório em separado pela absolvição.
5/9 - Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) considera constitucional o parecer pela cassação de Renan. Projeto de resolução é encaminhado à Mesa Diretora para votação em plenário.
12/9 - Em sessão e votação secretas, senadores absolvem Renan em placar de 40 votos contra cassação e 35 a favor. Seis abstenções definem preservação do mandato do senador alagoano.

Segundo processo:

1/8 - P-SOL protocola representação para que Conselho de Ética investigue Renan sobre supostas ingerências na Receita Federal e no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para beneficiar a cervejaria Schincariol.
7/8 - Mesa Diretora decide encaminhar representação ao Conselho de Ética.
2/10 - Conselho de Ética decide aguardar decisão da Câmara dos Deputados sobre o suposto envolvimento do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) na denúncia de ingerências em órgãos do governo para beneficiar a cervejaria. O objetivo é saber se investigações também atingiriam Renan, que é irmão de Olavo.
14/11 - Por falta de provas, Conselho de Ética decide acatar o relatório do senador João Pedro (PT-PA) e arquiva processo contra Renan.

Terceiro processo:

7/8 - Democratas e PSDB protocolam representação para que Renan seja investigado a respeito de outra denuncia da revista Veja, que o acusa de usar "laranjas" na compra de duas emissoras de rádio e de um jornal em Alagoas. As informações foram passadas pelo usineiro João Lyra, apontado como sócio do senador no suposto esquema.
16/8 - O usineiro confirma ao corregedor geral do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), as informações passadas à Veja.
16/8 - Mesa Diretora encaminha representação ao Conselho de Ética para abertura de processo contra Renan.
10/10 - O senador Jefferson Péres (PDT-AM) é escolhido pelo presidente do conselho para relatar processo de investigação.
14/11 - Péres apresenta ao conselho um parecer pela cassação de Renan. O conselho acata. O pedido de cassação deve ser apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça na quarta-feira (21) para votação em plenário no dia 22.

Quarto processo:

6/9 - P-SOL protocola representação para que Conselho de Ética investigue a denúncia de que Renan participava de um suoposto esquema de arrecadação de recursos em ministérios e órgãos do governo federal controlados pelo PMDB.
20/9 - Mesa Diretora encaminha representação para abertura de investigação pelo Conselho de Ética. Até o momento, o peemedebista Almeida Lima (SE), escolhido pelo presidente do colegiado para relatar a matéria, não apresentou seu parecer.

Quinto processo:

9/10 - Democratas e PSDB protocolam representação para que Conselho de Ética investigue a denúncia sobre uma suposta determinação de Renan a funcionários do Senado para que eles fizessem investigações contra os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).
15/10 - Mesa Diretora encaminha representação ao Conselho de Ética para dar andamento as investigações. Até o momento, Leomar Quintanilha não definiu relator para o processo.

Sexto processo:

18/10 - P-SOL entra com mais duas representações no Senado. Requer que o Conselho de Ética investigue a denúncia do jornal O Estado de S. Paulo de que Renan teria usado emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União para repassar recursos a uma empreiteira "fantasma". O partido também pede a abertura de investigação contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), diante de denúncia de que, em 1998, o empresário Marcos Valério de Souza teria operado um esquema de caixa dois na campanha de Azeredo à reeleição ao governo de Minas Gerais.
23/10 - Mesa Diretora decide aguardar resultado dos processos já em andamento no Conselho de Ética para então analisar se dará andamento ou não a representação do P-SOL.

Desdobramentos da crise no Senado a partir das denúncias contra Renan Calheiros:

13/09 - Após absolvição de Renan Calheiros pelo plenário da Casa, Democratas e PSDB decidem obstruir votações. Aumenta pressão pelo afastamento temporário de Renan, com adesões de senadores da base governista.
19/9 - Comissão de Constituição e Justiça aprova proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com voto secreto na apreciação de pedido de cassação de parlamentar.
26/9 - Senadores aprovam projeto de resolução que altera o regimento interno da Casa e torna aberta as sessões para apreciação de propostas de cassação de mandatos.
3/10 - Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprova o projeto de resolução que afasta senadores investigados pela Casa de cargos na Mesa Diretora, presidência e vice-presidência de comissões e de vagas no Conselho de Ética. O projeto também estabelece que representações contra parlamentares serão encaminhadas diretamente ao Conselho de Ética sem a necessidade de aprovação da Mesa Diretora. As medidas passam a valer a partir de 1º de janeiro de 2008.
11/10 - Diante de novas denúncias e do aumento das pressões de senadores, Renan decide licenciar-se do cargo de presidente da Casa por 45 dias. O primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), assume o cargo.
22/10 - Por causa de uma licença médida, Renan se afasta do Senado por dez dias.
5/11 - Vencida licença médica, Renan retoma os trabalhos no Senado.
12/11 - O presidente interino, Tião Viana, diz que pretende votar em plenário, no dia 22, processos contra Renan.


Fonte: Agência Brasil





Gilberto Mendonça Teles: 50 anos de poesia


Meio século de poesia não é para qualquer um. Ainda mais se a poesia é de alta qualidade. Pois foi exatamente meio século de atividade poética que Gilberto de Mendonça Teles comemorou em 2005.
Adelto Gonçalves (*)
Meio século de poesia não é para qualquer um. Ainda mais se a poesia é de alta qualidade. Pois foi exatamente meio século de atividade poética que Gilberto de Mendonça Teles comemorou em 2005. Para assinalar a data, Eliane Vasconcellos reuniu no livro A plumagem dos nomes/Gilberto: 50 anos de Literatura, de 812 páginas, não só poemas dedicados ao poeta – entre os quais se destacam dois saídos da pena de Carlos Drummond de Andrade em 1970 e 1971 – como poemas do autor traduzidos para outros idiomas, além de depoimentos, resenhas e ensaios publicados em jornais e revistas, prefácios, excertos de teses e dissertações, entrevistas do homenageado, cartas recebidas e fotografias de várias épocas.
Que o livro só tenha saído em 2007, pela Editora Kelps, de Goiânia, com o apoio da Secretaria de Cultura da Prefeitura local, explica-se pela dificuldade da organizadora em juntar tão farto material sobre o poeta. Além de textos publicados em jornais e revistas de todo o mundo lusófono, reúne as comunicações apresentadas no seminário “50 Anos de poesia de Gilberto Mendonça Teles”, realizado de 10 a 14 de outubro de 2005, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.
Deste articulista, consta a resenha “A influência de Camões no mundo lusófono”, publicada no suplemento Das Artes Das Letras d´O Primeiro de Janeiro, do Porto, de 18/7/2004. De autores ligados a´O Primeiro de Janeiro, consta ainda o prefácio que Arnaldo Saraiva, professor de literatura brasileira da Universidade do Porto, escreveu para Falavra (Lisboa, Dinalivro, 1989), destacando que Gilberto Mendonça Teles pertence à raça dos poetas-professores, uma linhagem que abriga nomes como Samuel Beckett, Dámaso Alonso, Vitorino Nemésio, David Mourão-Ferreira, Manuel Bandeira e Cecília Meireles, entre outros.
Mas há ainda contribuições de outros críticos e professores portugueses, como Agostinho da Silva, Fernando Cristóvão, Jacinto do Prado Coelho e João Bigotte Chorão e da professora Vânia Pinheiro Chaves, há muito tempo radicada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Além, é claro, de textos de grandes poetas brasileiros como João Cabral de Melo Neto, Murilo Mendes, Joaquim Inojosa, Ferreira Gullar, Ledo Ivo, Manuel Bandeira e Ivan Junqueira e críticos e professores como Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Athayde), Afrânio Coutinho, Alfredo Bosi, Antonio Carlos Secchin, Fábio Lucas, José Guilherme Merquior, Adriano Espínola, Fernando Py, Leodegário A. de Azevedo Filho, Silvio Castro e Melânia Silva Aguiar, bem como estrangeiros de renome como o crítico espanhol Carlos Bousoño, o poeta espanhol Jorge Guillén, o alemão Curt Meyer Clason, tradutor de Guimarães Rosa, e a professora italiana Luciana Stegagno Picchio.
II
Gilberto Mendonça Teles nasceu em 1931 em Bela Vista de Goiás, antiga Suçuapara, e morou em várias pequenas cidades do interior goiano, acompanhando a saga do pai comerciante. Viveu em Goiás até 1965, quando, já professor experiente, ganhou bolsa para estudar em Lisboa e Coimbra. Depois, já professor concursado da Universidade Federal de Goiás, lecionou de 1966 a 1970 no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro, em Montevidéu, por conta do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Foi aposentado em 1969 por ato discricionário do regime militar (1964-1985) em 1969, o famigerado Ato Institucional nº 5, tendo se transferido no ano seguinte para o Rio de Janeiro, onde começou a lecionar Literatura Brasileira e Teoria da Literatura na PUC-RJ, apesar das investidas da polícia política da ditadura. A seguir, transferiu-se para Porto Alegre, onde obteve os títulos de doutor em Letras e livre-docente em Literatura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Em 1983, foi nomeado professor catedrático visitante de Literatura Brasileira na Universidade de Lisboa, onde ficou até 1985. Depois, transferiu o cargo de professor titular da Universidade Federal de Goiás para a Universidade Federal Fluminense, aposentando-se nele em 1990.
Apesar de todo esse périplo, é natural que a paisagem goiana assuma-se como pano de fundo de boa parte de sua produção poética. A paisagem, no entanto, é apenas pretexto para evocar a infância, as lendas do sertão e as figuras que povoaram o seu tempo de menino, numa poesia que lhe permite homenagear a terra natal, como o faz em “Lira Goiana”, de Saciologia Goiana, que reúne poemas escritos entre 1970 e 1981: (...) quero ser como um instante de arco-íris/ nos olhos das mulheres de Goiás.
Situado arbitrariamente na geração de 45, provavelmente porque em seus primeiros versos ainda convirjam influências parnasianas e simbolistas, Gilberto Mendonça Teles é um legítimo representante da geração de 60 não só por uma questão de idade como por praticar uma poesia impregnada de irreverência, inconformismo e, especialmente, experimentalismo, como são prova os poemas de Improvisuais, livro parcialmente inédito até a edição de Hora Aberta: poemas reunidos, que saiu em 2003 pela Editora Vozes, de Petrópolis-RJ, com organização de Eliane Vasconcellos e prefácio (que mais é um estudo introdutório) do professor Angel Marcos de Dios, catedrático da área de Filologia Galega e Portuguesa da Universidade de Salamanca, Espanha.
Hora Aberta guarda algumas das experiências mais avançadas já feitas em poesia – que se confundem com arte fantástica, surrealista, sem deixar de recordar os experimentos dos concretistas. Lírico assumido – “No fundo, eu sou mesmo é um romântico inveterado”, diz na abertura do poema “Modernismo” de Cone de Sombras, que reúne peças escritas entre 1980 e 1985 –, o autor chegou, no 50º aniversário de sua atividade poética, a um estágio em que seu trabalho já prescinde dos rótulos e começa a influenciar novas gerações.
III
Ao estrear em 1955, aos 24 anos de idade, com Alvorada, e publicar logo depois, em 1956, Estrela d´Alva, ambos em edição de autor, e Planície, em 1958, ainda em Goiânia, Gilberto Mendonça Teles já despertara a atenção pelo lirismo que marcava seus versos. Não houve quem, ao resenhar seus primeiros livros, não saudasse o aparecimento de um poeta lírico e de aspirações nobres e previsse produções futuras da melhor qualidade.
Com mais de mil e cem páginas, Hora Aberta, além de abarcar 16 livros, quase todos premiados, inclui Álibis (2000), Arabiscos (inédito) e Improvisuais, cujos poemas têm sido divulgados em antologias. Traz na íntegra os dois primeiros livros, Alvorada e Estrela-d´Alva, de que se havia publicado – nas três edições anteriores – uma pequena seleção, reunindo ainda Poemas Avulsos, saídos à luz em jornais e revista antes da estréia e, no fim do volume, Caixa-de-Fósforo, aparecido em 1999.
Ao optar por reunir na abertura suas produções mais recentes, como as peças de Arabiscos, o autor convida o leitor, logo de imediato, a conhecer o seu estágio atual como sinalização autocrítica para o que veio antes. Dessa maneira, é possível, de modo inverso, acompanhar o percurso de um trabalho que pode ser dividido em três passagens, como sugere no prefácio o professor Angel Marcos de Dios.
A primeira compreende o período de assimilação das técnicas retóricas dos clássicos, românticos, parnasianos e simbolistas, que corresponderia aos dois livros iniciais em que o poeta dirige-se ao seu “eu-poético”, voltado apenas para o seu interior, suas emoções:
Deixa rolar no caos do pensamento largo/ a profunda amargura, o sofrimento amargo/ que habitam na tua alma entre ânsias sufocadas,/ entre anseios de amor e esperanças frustradas , diz no poema “Exortação” incluído em Alvorada.
Versos juvenis, os poemas de Alvorada trazem em seu bojo as matrizes românticas que presidem as primeiras manifestações do poeta, como se vê em “Lamento”: Pobre de ti, não tens uma ilusão sequer!/ Nunca provaste um lábio ardente de mulher/ virgem. Pungentes ais, nem suspiros tiveste/ De um seio de mulher. Qual sombrio cipreste/ passaste a mocidade à beira de um jazigo,/ desse jazigo obscuro e que trazes contigo/ dentro do coração, onde, parvo, enterraste/ todo o teu ideal e tudo o que sonhaste. No artista ainda jovem, surpreende a domínio que exibe da métrica tradicional, embora nunca deixe de acrescentar aspectos de renovação aos sonetos.
Já a segunda passagem do itinerário começaria com Planície, seguindo até Arte de Amar, de 1977, em que o poeta já se mostra mais preocupado com a linguagem. É exatamente a fase em que Gilberto Mendonça Teles alcança o reconhecimento como um dos críticos mais importantes do País, autor de pelo menos três obras fundamentais nos estudos literários: Drummond – a Estilística da Repetição, de 1970, Camões e a Poesia Brasileira (hoje na 4ª edição, revista e aumentada) e Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (hoje na 16ª edição), ambos de 1972.
Da segunda etapa, são pelo menos três grandes livros – Sintaxe Invisível, de 1967, A Raiz da Fala, de 1972, e Arte de Amar, de 1977. De A Raiz da Fala, é o poema “Signo” em que as experiências com metalinguagem se radicalizam: A tua forma é o movimento/ da música na fraude do pântano./ O teu rasto, o sinal cifrado/na linguagem do mar.
Neste período, que duraria quase duas décadas – pouco mais que o tempo de uma geração, segundo o célebre critério de Ortega y Gasset –, muitos críticos acreditam que a poesia de Gilberto Mendonça Teles tenha alcançado o seu maior grau de transcendência, o que deixaria supor que, a partir daí, teria entrado em declínio. Essa avaliação, no entanto, não corresponde à verdade porque é na fase seguinte – a atual – que o poeta aparece livre de todas amarras e influências, com uma linguagem própria, inconfundível.
Essa terceira fase, que se refere aos livros mais recentes, é de uma poesia mais denotativa, com uma linguagem o menos metafórica possível que busca decididamente a ironia e o humor. É marcada não só por um retorno à infância como por um psiquismo doloroso inspirado nas idéias de Gaston Bachelard, que, aliás, oferece a epígrafe que abre Plural de Nuvens, livro que reúne poemas escritos entre 1982 a 1985.
Se tudo o que o poeta toca não vira ouro, a exemplo do Rei Midas, pelo menos se transforma em linguagem: Tudo em mim é desejo de linguagem, diz o primeiro verso de “Poiética (fragmento)”, poema de Álibis, de 1997, que bem define a sua atual fase. Esse verso, aliás, pode ser tido como a metáfora-catalisadora de sua obra, até porque resume a atitude poética que levou muitos críticos a considerá-lo o “poeta da linguagem”, epíteto que desde então o acompanha.
Em “Poiética (fragmento)”, a contradição entre razão e experiência está posta de forma rigorosa: (...) minha própria emoção, esta passagem/ à espessura das coisas, o convite/ ao mais além da sombra e do limite/ e esta confirmação da realidade/ na plumagem dos nomes, na verdade,/ têm seu lado e segredo, é pura essência/ do que se fez em silêncio e reticência. O entendimento não alcança o que vai além do corpo, mas a poesia pode intuí-lo: (...) a criação se dá quando o perdido/ se transforma em sinal que alguém atende,/ alguma boa fada, algum duende,/ uma força maior que nos excita/ a deixar logo alguma coisa escrita.
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A PLUMAGEM DOS NOMES/GILBERTO: 50 ANOS DE LITERATURA . Organização, introdução e notas de Eliane Vasconcellos. Goiânia: Editora Kelps, 2007, 812 páginas. E-mail: kelps@kelps.com.br
HORA ABERTA: POEMAS REUNIDOS , de Gilberto Mendonça Teles. 4ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2003, 1113 páginas. E-mail: editorial@vozes.com.br
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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: adelto@unisanta.br



fonte: <b>Pravda.RU


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