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Segunda-feira, Novembro 26


<b>SILVIO SANTOS & SBT

Como é difícil largar a rapadura



Lá vem o SBT descendo a ladeira. O outrora exuberante "campeão absoluto da vice-liderança", que se ufanava de ter pela frente apenas a onipotente TV Globo e que ironizava a debilidade dos demais competidores no mercado televisivo, agora é líder disparado apenas em más notícias e presságios sombrios. Em todas as faixas horárias, em todas as praças do país, a Record está lhe mordendo nacos substantivos de audiência. Já contratou muitos de seus artistas, produtores e técnicos. E quase todas as semanas leva embora uma de suas emissoras afiliadas, emagrecendo sua rede e minguando suas receitas publicitárias. Agora é a emissora do bispo que se proclama, orgulhosa, "a caminho da liderança". O SBT vai no caminho do buraco.
Como isso é possível? Por que o SBT assiste ao próprio declínio sem esboçar uma reação organizada? Onde estão a velha agilidade e o senso incomum de oportunidade, que lhe asseguraram 26 anos na segunda posição e lhe permitiram aprontar várias vezes com a supremacia da Globo? Será possível um novo pulo-do-gato, um novo coelho tirado da cartola, como tantos nesses anos passados, para surpreender o mercado e conter a concorrência? Qual o problema, enfim, com o SBT?
Nasce um império
Todos os dedos apontam para apenas uma pessoa: Silvio Santos. Que não é apenas o patrão, mas também o fundador da empresa, o estrategista, o articulador, o comandante-em-chefe, além de apresentador do programa mais rentável da casa. Que não é, claro, a única pessoa que pensa em toda a organização, mas é seguramente a única que manda. Que sempre confiou, acima de qualquer consideração, pesquisa ou conselho, no seu próprio instinto e nunca se avexou de tomar decisões mirabolantes. E que agora, ao que tudo indica, não consegue mais manobrar com destreza. Perdeu o toque de Midas.
Esse toque, o carioca de ascendência judaica grega Senor Abravanel adquiriu há mais de 50 anos, em 1956, quando começou na TV Paulista como garoto-propaganda das lojas Clipper e "esquentador" de auditórios. Bom de voz e de conversa, usou as habilidades como camelô, pregoeiro de lojas, locutor de circo e comícios eleitorais, até chegar ao rádio e dele saltar à televisão, sempre acumulando cacife. Que multiplicou-se exponencialmente a partir de 1958, quando o produtor e apresentador Manoel da Nóbrega pediu-lhe que o ajudasse a fechar uma empresa falimentar, o Baú da Felicidade, que comercializava baús de brinquedos de Natal, pagos antecipadamente em prestações por consumidores de baixa renda.
Silvio Santos não apenas evitou a bancarrota como tornou-se sócio da empresa, e depois seu dono. Construiu a partir dela um império, com presença nos setores financeiro, varejista, hoteleiro, industrial e de comunicação, que teve uma receita operacional bruta de 3,2 bilhões de reais em 2006, 10,6% acima da registrada em 2005, segundo levantamento do jornal Valor Econômico.
Cerimônia inédita
Nessa escalada, a televisão sempre foi a ferramenta principal de sedução e mobilização da clientela. No início dos anos 1960, Silvio Santos converteu-se no principal apresentador de programas de jogos e brincadeiras da televisão brasileira, infalíveis máquinas de produzir audiência, consumo popular e faturamento. Caso atípico de artista com grande tino comercial, já em 1963 ele estreava o Programa Silvio Santos, que produzia de forma independente e veiculava comprando horários nas emissoras comerciais. Quem pagava a conta era o Baú da Felicidade, inicialmente, e depois os seus outros negócios, anunciados maciçamente nos intervalos e no interior de seus programas.
Em 1969, com 13 anos de televisão, Silvio Santos já era um dos maiores artistas e empresários do negócio. Dono dos domingos, onde chegou a ficar no ar, ao vivo, das 11 às 20 horas, Silvio Santos sobreviveu na TV Paulista, quando a emissora foi comprada pela TV Globo do Rio de Janeiro e tornou-se a Globo-SP. Mas, a essa altura, ele já tinha ambições de autonomia. Em 1972, comprou os estúdios da extinta TV Excelsior, no bairro paulistano de Vila Guilherme, para fazer ali a sua central de produção. Logo depois, conseguiu a concessão da TV Continental, canal 11, do Rio, e acumulou forças para lançar, em maio de 1976, sua primeira estação, a TV Studios, ou TVS. Também se tornou sócio da família Machado de Carvalho, na antiga TV Record.
O passo seguinte, a constituição de uma rede nacional de televisão, viabilizou-se com a decisão do governo general João Figueiredo, em 1980, de cassar a concessão das emissoras ligadas à Rede Tupi e entregá-las a outros grupos de mídia. Silvio Santos derrubou competidores poderosos, como a Editora Abril e o Jornal do Brasil (então no auge), e lançou em agosto de 1981 o SBT – Sistema Brasileiro de Televisão, numa cerimônia inédita em que transmitiu o próprio ato de assinatura da concessão. Inicialmente com quatro estações (São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belém), a nova rede cresceu exponencialmente, para atingir as declaradas 105 atuais – talvez uma a menos até o final deste texto.
Mudanças de horário
Ao longo dessa trajetória de quase três décadas com o SBT, Silvio Santos demonstrou uma capacidade inegável de enxergar as circunstâncias do mercado e de posicionar a sua empresa para aproveitar as mínimas brechas e chances deixadas pela líder Globo. Jamais permitiu que a concorrente estabilizasse o domínio sobre a audiência dominical. Sempre foi rapidíssimo em trazer para o seu elenco qualquer artista de outra emissora, que despontasse como possível ameaça à sua vice-liderança. Marcou tentos significativos quando atraiu até mesmo nomes globais, do porte de Jô Soares ou Lilian Wite Fibe. Quase fez naufragar o Big Brother Brasil da oponente, quando clonou a fórmula e lançou antes a Casa dos Artistas, de grande sucesso.
Nos últimos anos, entretanto, nada de importante ocorreu no SBT – ao contrário. A Record tomou-lhe o diretor comercial, o competente Walter Zagari, e no último mês de agosto conseguiu ultrapassá-lo na média nacional de audiência. As mudanças constantes na programação, desarticulando o trabalho comercial de suas afiliadas, fez várias delas também bandearem-se para os domínios do bispo: TV Cidade (Fortaleza), TV Itapoan (Salvador), TV Pampa (várias praças no Rio Grande do Sul), TV Pajuçara (Maceió), TV Atalaia (Aracaju), TV A Crítica (Manaus).
O triunfo mais recente, o concurso de calouros moderninho Ídolos, impactou muito menos que os sucessos do passado e a empresa detentora do formato ameaça levá-lo para a Record. Duas estrelas do telejornalismo, contratadas a peso de ouro – Ana Paula Padrão e Carlos Nascimento – padecem na ciranda de mudanças de horário e formato de seus programas, e já amargam uma lamentável invisibilidade. Descontente por ver a imprensa comentando esses fatos, Silvio Santos desativou a assessoria de comunicação por um ano, reorganizando-a apenas recentemente.
Glórias passadas
Se o SBT é dirigido com o mais extremo personalismo, tudo indica, portanto, que Silvio Santos perdeu a mão. Não consegue enfrentar o poderio de Edir Macedo, que, assim como ele, soube integrar e potencializar seus negócios extra-televisivos com a rede que mantém, mas confia muito mais nos colaboradores, da mesma forma como fez Roberto Marinho para construir a Rede Globo.
Com a emissora em situação periclitante (foi o único dos negócios de seu grupo a registrar prejuízo em 2006, sendo também o único dirigido diretamente por ele), Silvio atingiu 77 anos de idade e não consegue promover a sua sucessão. Não por falta de parentes à disposição, se for o caso de uma transferência de comando familiar. Além do sobrinho Guilherme Stoliar, as filhas Cíntia Abravanel e Daniela Beirute trabalham no Grupo SS.
O problema é que Silvio Santos não sabe e nem quer largar a rapadura. Não vê que o tempo passou também para ele, e que é hora de celebrar as glórias conquistadas, abrindo caminho para quem possa projetá-las ao futuro. Enquanto não cair essa ficha – se é que ela vai cair –, o país assistirá ao ocaso de uma grande rede de televisão, que nasceu pela vontade e o esforço de um único homem, e pode desaparecer junto com ele.

Por Gabriel Priolli em 20/11/2007


fonte: Observatório da Imprensa




Acordo com PSDB pode garantir aprovação da CPMF no Senado, defende líder





Brasília - A base do governo, ou pelo menos parte dela, está convencida de que, sem votos no PSDB, será muito difícil conquistar os 49 votos necessários para aprovar a prorrogação, até 2011, da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), insiste que este é o caminho da negociação da CPMF no Senado.
"Na minha opinião, o melhor caminho para aprovar a CPMF ainda é o governo insistir num acordo com o PSDB", afirma Casagrande. O líder tucano, Arthur Virgílio Neto (AM), considera que o tempo para conversas com o governo sobre CPMF já passou. "Nós propusemos uma negociação honesta e eles não toparam", destaca o parlamentar.

Os parlamentares descartam a hipótese de pressão dos governadores do PSDB sobre seus 13 senadores para reabrirem as negociações com o Executivo. O vice-líder tucano, Álvaro Dias (PR), considera naturais os comentários favoráveis à CPMF. "Os governadores estão agindo com muita habilidade. Eles mantêm a estratégia da boa vizinhança com o presidente Lula, por questões administrativas de relação com o governo, e não nos abordam sobre a CPMF", afirma o tucano paranaense.

Fonte: Agência Brasil







Renan Calheiros enfrenta mais um julgamento nesta semana



Brasília - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado analisa quarta-feira (28) mais uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).

A acusação desta vez é de que Renan Calheiros teria usado "laranjas" para comprar veículos de comunicação em Alagoas. O parecer pela cassação será analisado na CCJ antes de seguir para o plenário.
De acordo com o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), a previsão é de que a votação em plenário ocorra na primeira semana de dezembro, quase três meses depois da votação que inocentou Calheiros no primeiro processo por quebra de decoro. Na ocasião, ele foi acusado de ter recebido dinheiro de uma empreiteira para pagar a pensão da filha com a jornalista Mônica Veloso.

Outras duas representações contra Renan Calheiros tramitam no Conselho de Ética. A primeira é a que apura suposto esquema de corrupção em ministérios comandados pelo PMDB e a segunda é a que analisa o envolvimento do senador em esquema de espionagem de inimigos políticos. As duas representações estão paradas por falta de relator.
Outra representação contra ele está parada na Mesa Diretora do Senado. É a que investiga se Renan Calheiros teria feito emendas ao orçamento para empresas fantasmas.

O senador ainda foi absolvido da acusação de que teria cometido tráfico de influência em favor de uma cervejaria. O relator desse caso, senador João Pedro (PT-AM), recomendou o arquivamento do processo ainda no Conselho de Ética.

fonte: Agência Brasil


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