SUS permite ao paciente optar por tratamento homeopático
Rio de Janeiro - O paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) vai poder escolher, entre a alopatia e a homeopatia, o tratamento terapêutico que deseja ter nos postos de saúde da rede pública. Segundo revelou à Agência Brasil a diretora do Departamento de Atenção Básica à Saúde do Ministério da Saúde, Claunara Mendonça, "as práticas integrativas e complementares, como a homeopatia e a acupuntura, são parte de uma política nacional".
Essa política será debatida durante evento internacional que o ministério promoverá em maio, com a participação de especialistas do setor da Organização Mundial da Saúde (OMS). Claunara Mendonça enfatizou que a Portaria 154, publicada pelo Ministério da Saúde em janeiro, reforça a possibilidade de introdução da homeopatia na rede do SUS ao criar os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf). Esses núcleos reunirão profissionais de várias áreas para trabalhar em conjunto com as equipes do programa Saúde da Família. "Com certeza, o Nasf traz essa possibilidade".
Ao abrir o programa Saúde da Família, antes reservado aos médicos da família, ou médicos generalistas que desempenham várias atividades, o Ministério da Saúde passou a incluir outras especialidades médicas básicas, como ginecologia, pediatria, homeopatia e acupuntura.
Essa é a opinião do fundador da organização não-governamental Homeopatia Ação pelo Semelhante (HAPS), Hylton Luz. Ele afirmou à Agência Brasil que a homeopatia ainda não está sendo efetivada nesse campo, porque os Nasf ainda não foram implementados. "Mas é uma opção muito importante", declarou.
Hylton Luz afiançou que a portaria 154 do Ministério da Saúde reforça a luta da HAPS pela inclusão da homeopatia na rede do SUS. "Ela vem atender ao fato da população poder exercer o direito de escolher a terapêutica". A ONG, através da campanha Homeopatia Direito de Todos, colhe assinaturas no país para um abaixo-assinado que será encaminhado ao ministério, reivindicando que a homeopatia faça parte do SUS.
"O abaixo-assinado é um elemento que vem a ser um indicativo de demanda", explicou, acrescentando que a portaria já inclui de certa forma a terapêutica homeopata na rede pública de saúde.
Claunara Mendonça considerou válido o esforço da ONG de coletar assinaturas a favor da inclusão da homeopatia na rede pública de saúde. "O papel da organização da sociedade civil nesse caso é trabalhar nos espaços de controle social, nos conselhos municipais da saúde no nível local, para exigir de certa forma dos gestores que os profissionais, no caso específico da homeopatia, façam parte dos núcleos. Porque a decisão do modelo dos Nasf vai ser do gestor local".
No próximo dia 27, Hylton Luz irá ao Conselho Nacional de Saúde para defender que o abaixo-assinado sirva como um instrumento de registro de demanda. "Ou seja, para que a população possa ter um modo de se pronunciar. Isto é, de caracterizar que existe uma necessidade, um interesse".
A doutora Claunara, que é médica da família, disse que já existe um pagamento especial na tabela do SUS para a prática da homeopatia. Esse serviço vem sendo ampliado pelo ministério desde o ano passado, após o anúncio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS.
"Como o Nasf tem um financiamento específico, ele vai possibilitar que os gestores aumentem o número de profissionais homeopatas. Na verdade, ele traz recurso novo para que os gestores contratem profissionais homeopatas que componham o Nasf e ampliem esse tipo de atendimento no SUS", esclareceu Mendonça.
A dez quilômetros do centro de Brasília, crianças trabalham em um lixão
Marcello Casal Jr./Abr
Brasília -Lixão da Vila Estrutural, no Distrito Federal, inspecionado pelo Ministério Público e Secretaria dos Direitos Humanos, entre outros órgãos, para verificar ocorrências de trabalho infantil
Brasília - A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal encontrou três crianças trabalhando em um lixão que fica a cerca de 10 quilômetros do centro de Brasília. O local é conhecido como Lixão da Estrutural.
Para a presidente da comissão, deputada Érika Kokay, existem muitas outras crianças na mesma situação. De acordo com a assessoria de imprensa da deputada, a assistente social da Caenge, empresa que administra o lixão, informou que já foram identificadas cerca de 90 crianças trabalhando no local.
Na Vila Estrutural, favela onde fica o lixão, existe uma entidade que atende cerca de 200 meninos e meninas - muitas são filhos de pessoas que trabalham no lixão. Ali na Associação Viver, eles recebem alimentação, têm aulas de reforço escolar e música, além de outras atividades.
Mateus da Costa, de 12 anos, é um deles. Até os 10 anos de idade, ele trabalhou no lixão para ajudar a mãe. Recolhia garrafas pet para reciclagem.
Embora não reclame desse período, diz que prefere a associação. "Aqui é melhor porque a gente pode brincar, tem lanche, um bocado de coisas".
A entidade não tem condições de receber mais crianças. O diretor administrativo, Mizael Guerra, diz que no ano passado a lista de espera tinha cerca de 100 nomes.
"A principal dificuldade é a falta de parceria pública. Nós sabemos que existem recursos públicos do Peti [Programa de Erradicação do Trabalho Infantil] e da Secretaria de Assistência Social do Governo do Distrito Federal", diz. "Estamos com convênio para ser firmado. Com esses recursos vamos poder oferecer condições melhores às crianças, como a contratação de psicólogos, pedagogos, professores".
Hoje a entidade vive de convênios com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Não-governamental Instituto Marista. Nove das crianças atendidas recebem recursos do Peti.
No ano passado, a Câmara Legislativa reservou R$ 250 mil em emendas ao orçamento do Distrito Federal para combater a exploração do trabalho infantil. O governo do Distrito Federal chegou a anunciar a liberação de verbas. Mas o dinheiro nunca chegou às entidades.
Para a procuradora do Ministério Público do Trabalho Ana Claudia Bandeira, é necessário encontrar formas para que as ações de erradicação do trabalho infantil sejam mais efetivas.
"[Deveríamos promover] a mera implementação das políticas publicas, facilitar a execução do orçamento, já que existe orçamento para isso, ou até ampliar esse orçamento, que não deve ser suficiente", avalia.
"Enfim, eliminar barreiras burocráticas observando a lei, eliminar dificuldades que impeçam que essas políticas públicas venham a ser realizadas de forma a retirar essas crianças do trabalho e inseri-las na escola".
O Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil considera que a questão na Vila Estrutural é apenas parte de um problema mais amplo.
Segundo a secretária executiva do fórum, Isa Maria de Oliveira, o trabalho infantil atinge 7,5 mil crianças no Distrito Federal.
"É necessário que em áreas de vulnerabilidade, como a do Lixão da Estrutural, a escola seja de tempo integral, de qualidade e permita a essas crianças a possibilidade de se prepararem para o futuro. As famílias também devem ser acolhidas e apoiadas, para que tenham a oportunidade de ter renda e trabalho, e não precisem contar com a renda obtida pelas crianças".
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa pretende fazer visitas a outras localidades onde pode haver trabalho infantil e marcou para dia 3 de abril uma audiência pública para discutir o problema.
Após 50 anos no poder Fidel Castro anunciou sua renúncia à Presidência de Cuba e a seu cargo de Comandante em Chefe . A decisão, comunicada por meio de um artigo publicado no jornal estatal "Granma", surge a poucos dias da reunião da Assembléia Nacional, no próximo dai 24, para escolher os 31 membros do Conselho de Estado (Poder Executivo.
"A meus queridos compatriotas, que me deram a imensa honra de me eleger recentemente como membro do Parlamento, em cujo seio devem ser adotados acordos importantes para nossa Revolução, comunico que não aspirarei e nem aceitarei - repito - não aspirarei e nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante em Chefe", escreveu Fidel.
"Trairia minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total quando não estou em condições físicas de oferecer isso", afirmou.
O líder cubano, que encabeçou a Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959, está afastado do cargo desde julho de 2006, quando uma doença intestinal o obrigou a transferir seus poderes ao irmão Raúl Castro, 76.
Ao fim de sua mensagem, Fidel Casto se refere ao processo político cubano, e afirma que conta "com a autoridade e a experiência para garantir plenamente a sua substituição".
No artigo, o presidente afirmou que não retornará à Presidência do país e que seu irmão Raúl será o novo presidente.
A nova Assembléia Nacional, eleita no fim de Janeiro, tem até 45 dias para escolher o chefe do governo do país. Desde 1976, Fidel vinha sendo eleito e ratificado em todas as eleições, que se realizam a cada cinco anos.
Em mensagens que escreveu em dezembro, Fidel afirmou que não se apega ao poder, não obstrui as novas gerações e expressou se apoio a Raúl, que desatou a ansiedade da população ao anunciar "mudanças" para enfrentar os graves problemas do país e ao criticar o "excesso de proibições".
Não quero abusar da paciência dos leitores, nem da excepcional oportunidade que me ofereceu Lula de intercambiar idéias aquando do seu encontro comigo. Por isso, afirmo que é a quarta e última relativa à sua visita.
Quando falei com ele a respeito da Venezuela, disse-me: Nós pensamos cooperar com o presidente Chávez. Combinei com ele. Cada ano irei duas vezes a Caracas e ele viajará duas vezes ao Brasil para não permitir divergências entre nós, e se as houver, conseguir resolvê-las no momento. A Venezuela não precisa de dinheiro -expressa-, porque tem muitos recursos, mas precisa de tempo e infra-estrutura.
Lhe expressei que me alegrava muito a sua posição com relação a esse país, porque estávamos agradecidos a esse povo irmão pelos Acordos assinados que nos garantiram um fornecimento normal de combustível.
Não posso esquecer que, aquando do golpe de Estado de Abril de 2002, a palavra de ordem relativamente ao nosso país dos que assaltaram o poder foi: "nem um pingo mais de petróleo para Cuba". Convertemo-nos em um motivo adicional para que o imperialismo tentasse fazer estourar a economia da Venezuela, embora de fato era o que se propunham fazer desde que Chávez emprestou juramento de seu cargo como Presidente sobre a moribunda Constituição da IV República, que mais tarde, de forma legal e democrática, transformou na V República.
Quando o preço do petróleo subiu abruptamente e surgiram dificuldades reais para adquiri-lo, Chávez não só manteve, senão que elevou o fornecimento. Depois dos Acordos da ALBA, que foram assinados em Havana a 14 de Dezembro de 2004, isto se mantém em condições honoráveis e beneficiosas para ambos os países. Lá trabalham quase 40 mil abnegados especialistas cubanos, na sua maioria médicos, que com seus conhecimentos, e particularmente com seu exemplo internacionalista, estão contribuindo à formação dos próprios venezuelanos que os substituirão.
Expliquei-lhe que Cuba mantinha relações de amizade com todos os países da América Latina e do Caribe, sejam de esquerda ou de direita. Há muito traçamos essa linha e não a mudaremos; estamos dispostos a apoiar qualquer diligência em favor da paz entre os povos. É um terreno espinhoso e difícil, mas continuaremos perseverando nele.
Lula expressa de novo seu respeito e carinho profundo por Cuba e seus dirigentes. Acrescentou logo, que sentia orgulho do que estava acontecendo na América Latina, e mais uma vez afirmou que aqui em Havana decidimos criar o Foro de São Paulo e unir toda a esquerda da América Latina, e essa esquerda está chegando ao poder em quase todos os países.
Nesta ocasião, lembrei-lhe o que nos ensinou Martí sobre as glórias deste mundo, que cabem todas num grão de milho. Lula acrescentou: Digo-lhes a todos que, nas conversações que tive consigo, jamais deu conselho algum que pudesse entrar em confrontação com a legalidade; Sempre me pediu que não me ganhasse muitos inimigos ao mesmo tempo.
E isso é o que está permitindo que as coisas marchem.
Quase de imediato manifestou que o Brasil, um país grande e com recursos, tem que ajudar o Equador, a Bolívia, Uruguai, Paraguai.Agora estivemo na América Central. Nunca um Presidente brasileiro tinha visitado um país nessa região com projetos de cooperação.
Pergunto-lhe: Você se lembra, Lula, o que te disse no jantar familiar e informal que ofereceste a nossa delegação no dia seguinte à tua tomada de posse, em Janeiro de 2003? Nenhum dos filhos da grande maioria de pobres que votou por ti nunca será executivo das grandes empresas públicas do Brasil; os estudos universitários cá são caros demais!
Lula explica nesse sentido: Estamos construindo 214 escolas técnicas, profissionais; também estamos fazendo 13 Universidades federais novas e 48 extensões universitárias.
E lhe pergunto: Por isso não se paga nada, não é? Responde-me rápido: Temos criado um programa e já colocamos 460 mil jovens da periferia, pobres, de escolas públicas, para que possam cursar os estudos universitários. A direita me acusava de que estava tentando baixar o nível do ensino; dois anos depois, foram investigados 14 cursos: os melhores alunos foram os pobres da periferia. Estamos criando outro programa com 18 alunos como média; isto vai fazer com que hajam 250 mil jovens no ensino universitário.
A relação comercial do Brasil com América Latina é maior do que com os Estados Unidos da América, disse-me. Continuei explicando-lhe que se íamos estabelecer relações estreitas entre ambos os países, não só como amigos mas também como parceiros em áreas importantes, precisava conhecer o pensamento das lideranças do Brasil, visto que em áreas
estratégicas íamos estar associados, e tínhamos por norma cumprir nossos compromissos econômicos.
Falamos de outros importantes problemas, os pontos em que coincidíamos e nos que não, com o maior tacto possível. Falei-lhe de diversas regiões, incluindo o Caribe, e das formas de cooperação que tínhamos desenvolvido com eles.
Lula me expressou que o Brasil devia ter uma política mais ativa para cooperar com os países mais pobres. Tem novas responsabilidades, é o país mais rico de toda a região. Falei-lhe, como é lógico, da mudança climática e a pouca atenção que lhe prestam ao tema grande número de dirigentes dos países industrializados do mundo.
Quando falei com ele na tarde de 15 de Janeiro, não pude mencionar-lhe o artigo que foi publicado só três dias depois, escrito por Stephen Leahy desde Toronto. Este nos transmite notícias do novo livro titulado Mobilizar-se para salvar a civilização, de Lester Brown.
"A crise é extremamente seria e urgente e precisa dum esforço de mobilização das nações, semelhante ao realizado durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)" -argumenta o autor, Lester Brown, Presidente do Centro de Estudos do Instituto para Políticas da Terra, sediado em Washington. "A mudança climática acontece muito mais rápido do previsto pelos cientistas, e o planeta sofrerá inevitavelmente um incremento da temperatura de pelo menos dois graus", disse Brown a IPS, "que nos colocará decididamente na zona de perigo."
"Nenhum dos pré-candidatos presidenciais para as eleições nos Estados Unidos" -que se realizarão na primeira terça-feira de Novembro- "fala da urgência do problema da mudança climática.
"As emissões de gases de efeito estufa, parcialmente responsáveis do reaquecimento global, devem se reduzir em 80 por cento para 2020."Trata-se duma meta muito mais
ambiciosa que a colocada pelo Painel Inter-governamental sobre Mudança Climática (IPCC), que recebeu em 2007 o prêmio Nobel da Paz junto do ex Vice-presidente estadunidense Al Gore, quem recomendou um recorte entre 25 e 40 por cento com relação aos níveis de emissão de 1990, informa-nos o telex.
Brown estima que os dados utilizados pelo IPCC estão desatualizados, visto que seriam de há dois anos. Estudos mais recentes indicam que a mudança climática se está acelerando, disse.Ainda que confia em que o IPCC modificará essa recomendação no seu próximo relatório, assinalou que será difundido em cinco ou seis anos. "Tarde demais, temos que agir já", garantiu Brown.
O Plano B 3,0 de Brown recomenda medidas para chegar a 80 por cento de redução nas emissões, que se baseiam fortemente no uso eficiente da energia, as fontes renováveis e a expansão do "escudo" de árvores do planeta. "A energia eólica pode cobrir 40 por cento da demanda mundial com a instalação de 1,5 milhões de novas turbinas de vento de dois megabytes. Embora o número parece elevado, cada ano se produzem 65 milhões de automóveis no mundo. Um alumiado mais eficiente pode reduzir o uso mundial de eletricidade em 12 por cento.
"Nos Estados Unidos, os edifícios comerciais e residenciais são responsáveis por 40 por cento das emissões de carbono. O seguinte passo deve apontar para a geração de eletricidade de forma não poluente para a calefação, refrigerar e alumiar as moradias. "O emprego de bio-combustíveis que se produzem utilizando grãos como o milho e a soja, empurram a subida dos preços desses alimentos e podem provocar uma escassez de comida desastrosa para os pobres do mundo.
"A adição anual de 70 milhões de pessoas à população mundial se concentra em nações onde as reservas de água se estão esgotando e os poços se secam, as áreas de florestas se reduzem, os solos se degradam e os campos de pastos se tornam desertos. "Ano após ano aumenta o número de `Estados inviáveis', que constituem um `alerta
prematuro da queda de uma civilização', comentou Brown.
"O aumento no preço do petróleo deve ser acrescentado à lista de problemas. Os países ricos terão tudo o que precisarem, ao passo que os pobres deverão reduzir seu consumo. "O crescimento da população e da pobreza demandam uma atenção especial do mundo desenvolvido. "O tempo é nosso recurso mais escasso", concluiu o prestigioso cientista. Não se pode expressar com mais clareza um perigo que paira sobre a humanidade.
Mas não é a única notícia que foi publicada depois da minha reunião com Lula. Há apenas dois dias, anatematizando e fazendo cacos o discurso de Bush ao Congresso, The New York Times, em seu editorial, expressou esta idéia numa linha: "Ao mundo civilizado o esperam perigos horripilantes."
A China, um país cuja superfície é 87 vezes maior que nossa ilha e no qual vivem 117 vezes mais habitantes do que em Cuba, acaba de ser açoitado por uma inabitual onda de frio que golpeou Xangai, a área mais desenvolvida, e ao resto da zona meridional e central desse grande país.
As autoridades informam sobre a emergência que os telex internacionais de Ocidente -AFP, AP, EFE, DPA, ANSA e outros- transmitem: "As fortes nevadas têm obrigado a fechar usinas térmicas e reduzir à metade as reservas do carvão, a principal fonte de energia do país, o que tem criado uma grave crise energética."
"…na zona mais afetada, sete por cento da energia total, deteve suas operações, salientou a Comissão de Energia. "…90 usinas, que produzem 10 por cento adicional da eletricidade de origem térmica, poderiam fechar nos próximos dias se não melhora a situação…
"As reservas de carvão ficaram reduzidas a menos da metade, advertem as autoridades…"O principal problema é o transporte. Mais da metade dos comboios se dedicam a transportar carvão, pelo que a paralisia da rede tem ocasionado muitos problemas, sublinhou Wang Zheming, perito da Comissão Estatal de Segurança.
"Wang lembrou que o transporte de carvão se enfrenta nestes dias à concorrência dos passageiros, pois devido às festas há um êxodo ferroviário de quase 180 milhões de pessoas em apenas um mês. "É difícil para China usar outra fonte de energia. O ideal seria o gás natural, mas os depósitos não são suficientes ainda, comentou o perito.
"Também deve ter-se em mente que a bacia do Iansequião e outras zonas do Centro e Sul do país sofreram nos últimos meses a pior seca em meio século, o que afetou a produção hidrelétrica. "A neve continuará caindo com força durante os próximos três dias," segundo a Associação Chinesa de Meteorologia.
"Todo o país foi mobilizado para resolver a emergência. Na cidade de Nanjing, 250 mil pessoas foram destinadas para limparem a neve das ruas." Esses telex falam de "460 mil soldados do Exército Popular de Libertação, desdobrados nas províncias chinesas para ajudarem a milhões de pessoas que estão à intempérie afetadas pelo pior frio dos últimos tempos, e um milhão de agentes de autoridade para ajudarem a restabelecer o trânsito e os serviços.
"O Ministério de Saúde enviou 15 000 médicos para socorrer os danificados. "O Primeiro Ministro Wen Jiabao, na cidade de Cantão, falou a uma multidão de viageiros cujos comboios se viram paralisados. "Calculam-se mais de 80 milhões de afetados. Os prejuízos ocasionados à agricultura e à produção de alimentos são analisados."
A BBC Mundo expressa: "O governo da China informou que uma seca severa provocou que o nível de água numa parte do rio maior do país, o Iansequião, caísse a seu nível mais baixo desde que se iniciaram seus registros há 142 anos. "Na cidade portuária de Hangzhou, no centro do país, os níveis de água diminuíram a 13,98m a princípios de Janeiro, o qual não se tinha registrado desde 1866, indicou citando mídias locais."
No Vietnã a onda fria se aproximava do seu território com temperaturas inusualmente baixas. Tais notícias dão idéia do que pode significar a mudança climática que tanto preocupa os cientistas. Em ambos os exemplos que tenho citado se trata de países revolucionários, perfeitamente organizados, com grande força econômica e humana, onde todos os recursos se colocam logo ao serviço do povo. Não se trata de massas esfomeadas abandonadas à sua sorte.
Por outro lado, um telex da agência Reuters, de 29 de Janeiro, informa que "`A França prevê modificar sua política de consumo de bio-combustíveis, devido às dúvidas relativas ao impacto dos chamados `combustíveis verdes' sobre o meio ambiente', informou na terça-feira a Secretaria de Estado para o meio ambiente.
"A França se tem convertido um dos maiores produtores de bio-combustíveis da Europa, depois que estabeleceu uma política ambígua que antecipa em dois anos o objetivo da União Européia de misturar bio-combustíveis com combustíveis padrões.
"Para atingir seus objetivos de mistura de combustíveis… a França estabeleceu um sistema de quotas que beneficiam das reduzidas taxas alfandegárias, no intuito de torná-los competitivos relativamente aos combustíveis padrões.
"A política incentivou muitas companhias a investirem no setor, construindo fábricas de etanol e bio-diesel em todo o país." Tudo o que acabo de referir, que embora previsto conceitualmente constitui uma somatória de elementos novos recém-acontecidos, em tais circunstâncias demandarão seguramente do Brasil, não afetado afortunadamente neste instante por grandes calamidades climáticas, passos importantes na sua política comercial e de investimento. No imediato, seu peso internacional se eleva.
Resulta evidente que um número de fatores complica a situação do planeta. Podem ser numerados vários:
1. Crescimento do consumo de petróleo, um produto não renovável e poluente, por dilapidação das sociedades de consumo.
2. Escassez de alimentos por variadas causas, dentre elas o crescimento exponencial da população humana e dos animais que convertem os grãos diretamente em proteínas
de crescente procura.
3. Sobre-exploração dos mares e poluição das suas espécies por detritos químicos da indústria incompatíveis com a vida.
4. A idéia macabra de converter os alimentos em combustíveis para o recreio e o luxo.
5. Incapacidade do sistema econômico dominante para o uso racional e eficiente da ciência e da técnica na luta contra pragas e doenças que agridem a vida humana, os animais e as culturas que a sustentam. A biotecnologia transforma os genes e as multinacionais produzem e empregam seus produtos, maximizando os lucros através da publicidade, sem segurança para os que consomem, nem acesso para os que mais os necessitam. Entre esses produtos, as novíssimas moléculas nanotecnológicas -o termo é relativamente novo- que s abrem pass desordenadamente pelas mesmas vias.
6. A necessidade de planos racionais de crescimento familiar e da sociedade no seu conjunto, alheios a pretensões hegemônicas e de poder.
7. A ausência quase geral de educação em temas que são decisivos para a vida, inclusive nas nações com níveis de escolaridade mais altos.
8. Os riscos reais que se derivam das armas de extermínio maciço nas mãos de irresponsáveis, o que o já citado The New York Times, um dos jornais mais influentes dos Estados Unidos, qualificou de perigos horripilantes.Há remédios para esses perigos? Sim: conhecê-los e assumi-los. Como? Seriam repostas puramente teóricas. Façam-nas a si próprios os próprios leitores, especialmente os e as mais jovens, como soe se dizer ultimamente para não parecer descriminador das mulheres. Não esperem a serem primeiro Chefes de Estado.
Tinha ou não temas para conversar com Lula? Era impossível contar-lhe tudo. Por esta via é mais fácil comentar-lhe as notícias que chegaram depois.
Lembrei-lhe que tentava me recuperar de dois acidentes: o de Villa Clara e a doença que sobreveio depois da minha última viagem a Argentina.Quase no final me disse: "Está
convidado para ir ao Brasil neste ano". Obrigado, respondi-lhe, pelo menos com o pensamento estarei lá. Por último me disse: Conter-lhes-ei aos companheiros e amigos que você tem no Brasil, que está muito bem. Caminhamos juntos até a saída. O encontro valeu a pena realmente.
Posted
09:20
by Fidel Castro: Relatório sobre encontro com Lula
Não quero abusar da paciência dos leitores, nem da excepcional oportunidade que me ofereceu Lula de intercambiar idéias aquando do seu encontro comigo. Por isso, afirmo que é a quarta e última relativa à sua visita.
Quando falei com ele a respeito da Venezuela, disse-me: Nós pensamos cooperar com o presidente Chávez. Combinei com ele. Cada ano irei duas vezes a Caracas e ele viajará duas vezes ao Brasil para não permitir divergências entre nós, e se as houver, conseguir resolvê-las no momento. A Venezuela não precisa de dinheiro -expressa-, porque tem muitos recursos, mas precisa de tempo e infra-estrutura.
Lhe expressei que me alegrava muito a sua posição com relação a esse país, porque estávamos agradecidos a esse povo irmão pelos Acordos assinados que nos garantiram um fornecimento normal de combustível.
Não posso esquecer que, aquando do golpe de Estado de Abril de 2002, a palavra de ordem relativamente ao nosso país dos que assaltaram o poder foi: "nem um pingo mais de petróleo para Cuba". Convertemo-nos em um motivo adicional para que o imperialismo tentasse fazer estourar a economia da Venezuela, embora de fato era o que se propunham fazer desde que Chávez emprestou juramento de seu cargo como Presidente sobre a moribunda Constituição da IV República, que mais tarde, de forma legal e democrática, transformou na V República.
Quando o preço do petróleo subiu abruptamente e surgiram dificuldades reais para adquiri-lo, Chávez não só manteve, senão que elevou o fornecimento. Depois dos Acordos da ALBA, que foram assinados em Havana a 14 de Dezembro de 2004, isto se mantém em condições honoráveis e beneficiosas para ambos os países. Lá trabalham quase 40 mil abnegados especialistas cubanos, na sua maioria médicos, que com seus conhecimentos, e particularmente com seu exemplo internacionalista, estão contribuindo à formação dos próprios venezuelanos que os substituirão.
Expliquei-lhe que Cuba mantinha relações de amizade com todos os países da América Latina e do Caribe, sejam de esquerda ou de direita. Há muito traçamos essa linha e não a mudaremos; estamos dispostos a apoiar qualquer diligência em favor da paz entre os povos. É um terreno espinhoso e difícil, mas continuaremos perseverando nele.
Lula expressa de novo seu respeito e carinho profundo por Cuba e seus dirigentes. Acrescentou logo, que sentia orgulho do que estava acontecendo na América Latina, e mais uma vez afirmou que aqui em Havana decidimos criar o Foro de São Paulo e unir toda a esquerda da América Latina, e essa esquerda está chegando ao poder em quase todos os países.
Nesta ocasião, lembrei-lhe o que nos ensinou Martí sobre as glórias deste mundo, que cabem todas num grão de milho. Lula acrescentou: Digo-lhes a todos que, nas conversações que tive consigo, jamais deu conselho algum que pudesse entrar em confrontação com a legalidade; Sempre me pediu que não me ganhasse muitos inimigos ao mesmo tempo.
E isso é o que está permitindo que as coisas marchem.
Quase de imediato manifestou que o Brasil, um país grande e com recursos, tem que ajudar o Equador, a Bolívia, Uruguai, Paraguai.Agora estivemo na América Central. Nunca um Presidente brasileiro tinha visitado um país nessa região com projetos de cooperação.
Pergunto-lhe: Você se lembra, Lula, o que te disse no jantar familiar e informal que ofereceste a nossa delegação no dia seguinte à tua tomada de posse, em Janeiro de 2003? Nenhum dos filhos da grande maioria de pobres que votou por ti nunca será executivo das grandes empresas públicas do Brasil; os estudos universitários cá são caros demais!
Lula explica nesse sentido: Estamos construindo 214 escolas técnicas, profissionais; também estamos fazendo 13 Universidades federais novas e 48 extensões universitárias.
E lhe pergunto: Por isso não se paga nada, não é? Responde-me rápido: Temos criado um programa e já colocamos 460 mil jovens da periferia, pobres, de escolas públicas, para que possam cursar os estudos universitários. A direita me acusava de que estava tentando baixar o nível do ensino; dois anos depois, foram investigados 14 cursos: os melhores alunos foram os pobres da periferia. Estamos criando outro programa com 18 alunos como média; isto vai fazer com que hajam 250 mil jovens no ensino universitário.
A relação comercial do Brasil com América Latina é maior do que com os Estados Unidos da América, disse-me. Continuei explicando-lhe que se íamos estabelecer relações estreitas entre ambos os países, não só como amigos mas também como parceiros em áreas importantes, precisava conhecer o pensamento das lideranças do Brasil, visto que em áreas
estratégicas íamos estar associados, e tínhamos por norma cumprir nossos compromissos econômicos.
Falamos de outros importantes problemas, os pontos em que coincidíamos e nos que não, com o maior tacto possível. Falei-lhe de diversas regiões, incluindo o Caribe, e das formas de cooperação que tínhamos desenvolvido com eles.
Lula me expressou que o Brasil devia ter uma política mais ativa para cooperar com os países mais pobres. Tem novas responsabilidades, é o país mais rico de toda a região. Falei-lhe, como é lógico, da mudança climática e a pouca atenção que lhe prestam ao tema grande número de dirigentes dos países industrializados do mundo.
Quando falei com ele na tarde de 15 de Janeiro, não pude mencionar-lhe o artigo que foi publicado só três dias depois, escrito por Stephen Leahy desde Toronto. Este nos transmite notícias do novo livro titulado Mobilizar-se para salvar a civilização, de Lester Brown.
"A crise é extremamente seria e urgente e precisa dum esforço de mobilização das nações, semelhante ao realizado durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)" -argumenta o autor, Lester Brown, Presidente do Centro de Estudos do Instituto para Políticas da Terra, sediado em Washington. "A mudança climática acontece muito mais rápido do previsto pelos cientistas, e o planeta sofrerá inevitavelmente um incremento da temperatura de pelo menos dois graus", disse Brown a IPS, "que nos colocará decididamente na zona de perigo."
"Nenhum dos pré-candidatos presidenciais para as eleições nos Estados Unidos" -que se realizarão na primeira terça-feira de Novembro- "fala da urgência do problema da mudança climática.
"As emissões de gases de efeito estufa, parcialmente responsáveis do reaquecimento global, devem se reduzir em 80 por cento para 2020."Trata-se duma meta muito mais
ambiciosa que a colocada pelo Painel Inter-governamental sobre Mudança Climática (IPCC), que recebeu em 2007 o prêmio Nobel da Paz junto do ex Vice-presidente estadunidense Al Gore, quem recomendou um recorte entre 25 e 40 por cento com relação aos níveis de emissão de 1990, informa-nos o telex.
Brown estima que os dados utilizados pelo IPCC estão desatualizados, visto que seriam de há dois anos. Estudos mais recentes indicam que a mudança climática se está acelerando, disse.Ainda que confia em que o IPCC modificará essa recomendação no seu próximo relatório, assinalou que será difundido em cinco ou seis anos. "Tarde demais, temos que agir já", garantiu Brown.
O Plano B 3,0 de Brown recomenda medidas para chegar a 80 por cento de redução nas emissões, que se baseiam fortemente no uso eficiente da energia, as fontes renováveis e a expansão do "escudo" de árvores do planeta. "A energia eólica pode cobrir 40 por cento da demanda mundial com a instalação de 1,5 milhões de novas turbinas de vento de dois megabytes. Embora o número parece elevado, cada ano se produzem 65 milhões de automóveis no mundo. Um alumiado mais eficiente pode reduzir o uso mundial de eletricidade em 12 por cento.
"Nos Estados Unidos, os edifícios comerciais e residenciais são responsáveis por 40 por cento das emissões de carbono. O seguinte passo deve apontar para a geração de eletricidade de forma não poluente para a calefação, refrigerar e alumiar as moradias. "O emprego de bio-combustíveis que se produzem utilizando grãos como o milho e a soja, empurram a subida dos preços desses alimentos e podem provocar uma escassez de comida desastrosa para os pobres do mundo.
"A adição anual de 70 milhões de pessoas à população mundial se concentra em nações onde as reservas de água se estão esgotando e os poços se secam, as áreas de florestas se reduzem, os solos se degradam e os campos de pastos se tornam desertos. "Ano após ano aumenta o número de `Estados inviáveis', que constituem um `alerta
prematuro da queda de uma civilização', comentou Brown.
"O aumento no preço do petróleo deve ser acrescentado à lista de problemas. Os países ricos terão tudo o que precisarem, ao passo que os pobres deverão reduzir seu consumo. "O crescimento da população e da pobreza demandam uma atenção especial do mundo desenvolvido. "O tempo é nosso recurso mais escasso", concluiu o prestigioso cientista. Não se pode expressar com mais clareza um perigo que paira sobre a humanidade.
Mas não é a única notícia que foi publicada depois da minha reunião com Lula. Há apenas dois dias, anatematizando e fazendo cacos o discurso de Bush ao Congresso, The New York Times, em seu editorial, expressou esta idéia numa linha: "Ao mundo civilizado o esperam perigos horripilantes."
A China, um país cuja superfície é 87 vezes maior que nossa ilha e no qual vivem 117 vezes mais habitantes do que em Cuba, acaba de ser açoitado por uma inabitual onda de frio que golpeou Xangai, a área mais desenvolvida, e ao resto da zona meridional e central desse grande país.
As autoridades informam sobre a emergência que os telex internacionais de Ocidente -AFP, AP, EFE, DPA, ANSA e outros- transmitem: "As fortes nevadas têm obrigado a fechar usinas térmicas e reduzir à metade as reservas do carvão, a principal fonte de energia do país, o que tem criado uma grave crise energética."
"…na zona mais afetada, sete por cento da energia total, deteve suas operações, salientou a Comissão de Energia. "…90 usinas, que produzem 10 por cento adicional da eletricidade de origem térmica, poderiam fechar nos próximos dias se não melhora a situação…
"As reservas de carvão ficaram reduzidas a menos da metade, advertem as autoridades…"O principal problema é o transporte. Mais da metade dos comboios se dedicam a transportar carvão, pelo que a paralisia da rede tem ocasionado muitos problemas, sublinhou Wang Zheming, perito da Comissão Estatal de Segurança.
"Wang lembrou que o transporte de carvão se enfrenta nestes dias à concorrência dos passageiros, pois devido às festas há um êxodo ferroviário de quase 180 milhões de pessoas em apenas um mês. "É difícil para China usar outra fonte de energia. O ideal seria o gás natural, mas os depósitos não são suficientes ainda, comentou o perito.
"Também deve ter-se em mente que a bacia do Iansequião e outras zonas do Centro e Sul do país sofreram nos últimos meses a pior seca em meio século, o que afetou a produção hidrelétrica. "A neve continuará caindo com força durante os próximos três dias," segundo a Associação Chinesa de Meteorologia.
"Todo o país foi mobilizado para resolver a emergência. Na cidade de Nanjing, 250 mil pessoas foram destinadas para limparem a neve das ruas." Esses telex falam de "460 mil soldados do Exército Popular de Libertação, desdobrados nas províncias chinesas para ajudarem a milhões de pessoas que estão à intempérie afetadas pelo pior frio dos últimos tempos, e um milhão de agentes de autoridade para ajudarem a restabelecer o trânsito e os serviços.
"O Ministério de Saúde enviou 15 000 médicos para socorrer os danificados. "O Primeiro Ministro Wen Jiabao, na cidade de Cantão, falou a uma multidão de viageiros cujos comboios se viram paralisados. "Calculam-se mais de 80 milhões de afetados. Os prejuízos ocasionados à agricultura e à produção de alimentos são analisados."
A BBC Mundo expressa: "O governo da China informou que uma seca severa provocou que o nível de água numa parte do rio maior do país, o Iansequião, caísse a seu nível mais baixo desde que se iniciaram seus registros há 142 anos. "Na cidade portuária de Hangzhou, no centro do país, os níveis de água diminuíram a 13,98m a princípios de Janeiro, o qual não se tinha registrado desde 1866, indicou citando mídias locais."
No Vietnã a onda fria se aproximava do seu território com temperaturas inusualmente baixas. Tais notícias dão idéia do que pode significar a mudança climática que tanto preocupa os cientistas. Em ambos os exemplos que tenho citado se trata de países revolucionários, perfeitamente organizados, com grande força econômica e humana, onde todos os recursos se colocam logo ao serviço do povo. Não se trata de massas esfomeadas abandonadas à sua sorte.
Por outro lado, um telex da agência Reuters, de 29 de Janeiro, informa que "`A França prevê modificar sua política de consumo de bio-combustíveis, devido às dúvidas relativas ao impacto dos chamados `combustíveis verdes' sobre o meio ambiente', informou na terça-feira a Secretaria de Estado para o meio ambiente.
"A França se tem convertido um dos maiores produtores de bio-combustíveis da Europa, depois que estabeleceu uma política ambígua que antecipa em dois anos o objetivo da União Européia de misturar bio-combustíveis com combustíveis padrões.
"Para atingir seus objetivos de mistura de combustíveis… a França estabeleceu um sistema de quotas que beneficiam das reduzidas taxas alfandegárias, no intuito de torná-los competitivos relativamente aos combustíveis padrões.
"A política incentivou muitas companhias a investirem no setor, construindo fábricas de etanol e bio-diesel em todo o país." Tudo o que acabo de referir, que embora previsto conceitualmente constitui uma somatória de elementos novos recém-acontecidos, em tais circunstâncias demandarão seguramente do Brasil, não afetado afortunadamente neste instante por grandes calamidades climáticas, passos importantes na sua política comercial e de investimento. No imediato, seu peso internacional se eleva.
Resulta evidente que um número de fatores complica a situação do planeta. Podem ser numerados vários:
1. Crescimento do consumo de petróleo, um produto não renovável e poluente, por dilapidação das sociedades de consumo.
2. Escassez de alimentos por variadas causas, dentre elas o crescimento exponencial da população humana e dos animais que convertem os grãos diretamente em proteínas
de crescente procura.
3. Sobre-exploração dos mares e poluição das suas espécies por detritos químicos da indústria incompatíveis com a vida.
4. A idéia macabra de converter os alimentos em combustíveis para o recreio e o luxo.
5. Incapacidade do sistema econômico dominante para o uso racional e eficiente da ciência e da técnica na luta contra pragas e doenças que agridem a vida humana, os animais e as culturas que a sustentam. A biotecnologia transforma os genes e as multinacionais produzem e empregam seus produtos, maximizando os lucros através da publicidade, sem segurança para os que consomem, nem acesso para os que mais os necessitam. Entre esses produtos, as novíssimas moléculas nanotecnológicas -o termo é relativamente novo- que s abrem pass desordenadamente pelas mesmas vias.
6. A necessidade de planos racionais de crescimento familiar e da sociedade no seu conjunto, alheios a pretensões hegemônicas e de poder.
7. A ausência quase geral de educação em temas que são decisivos para a vida, inclusive nas nações com níveis de escolaridade mais altos.
8. Os riscos reais que se derivam das armas de extermínio maciço nas mãos de irresponsáveis, o que o já citado The New York Times, um dos jornais mais influentes dos Estados Unidos, qualificou de perigos horripilantes.Há remédios para esses perigos? Sim: conhecê-los e assumi-los. Como? Seriam repostas puramente teóricas. Façam-nas a si próprios os próprios leitores, especialmente os e as mais jovens, como soe se dizer ultimamente para não parecer descriminador das mulheres. Não esperem a serem primeiro Chefes de Estado.
Tinha ou não temas para conversar com Lula? Era impossível contar-lhe tudo. Por esta via é mais fácil comentar-lhe as notícias que chegaram depois.
Lembrei-lhe que tentava me recuperar de dois acidentes: o de Villa Clara e a doença que sobreveio depois da minha última viagem a Argentina.Quase no final me disse: "Está
convidado para ir ao Brasil neste ano". Obrigado, respondi-lhe, pelo menos com o pensamento estarei lá. Por último me disse: Conter-lhes-ei aos companheiros e amigos que você tem no Brasil, que está muito bem. Caminhamos juntos até a saída. O encontro valeu a pena realmente.
Você acha que Ayrton Senna pode ser considerado o melhor piloto do mundo?
O jornal italiano que saber qual o maior piloto de Fórmula 1 do mundo, para isso,
disponibilizou em seu site uma pesquisa contendo os seguintes nomes:
Michael Schumacher, Ayrton Senna, Juan Manuel Fangio e Alain Prost.
Você pode votar no piloto de sua prefência clicando
Jovens esperam que Poder Público resolva seus principais problemas, revela pesquisa
Brasília - Uma pesquisa qualitativa feita com jovens de seis países sul-americanos concluiu que eles esperam que o Poder Público formule políticas específicas para a juventude. “Costuma-se dizer que os jovens de hoje não têm nenhuma crença na política, em termos do papel do Estado, dos poderes constituídos. E o que nós notamos é que todos os jovens demandam e esperam que o Poder Público tenha um papel”, afirmou Regina Novaes, antropóloga e consultora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).
Já para a socióloga Helena Abramo, que fez a supervisão técnica da pesquisa no Brasil, isso não quer dizer que os jovens acreditem mais no Poder Público. “Esses jovens organizados têm uma noção clara de que seus direitos devem ser garantidos e de que o Estado tem papel nisso, mas isso não quer dizer necessariamente que eles têm confiança no Poder Público”, explicou.
A pesquisa Juventude e Integração Sul-Americana foi realizada principalmente com jovens de organizações e movimentos sociais. É uma pesquisa qualitativa, feita por meio de entrevistas e grupos de discussão, e ouviu 960 pessoas em seis países sul-americanos: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. A realização é do Ibase e do Instituto de Estudos Formação e Assessoria em políticas Sociais (Pólis).
Uma das conclusões da pesquisa foi a de que os jovens sempre evocam os poderes públicos para encaminhar as resoluções de seus problemas. “Em todas as discussões, o que se espera é que o Estado cumpra esse papel da construção do espaço público e com políticas específicas para os jovens”, disse Novaes.
Para Helena Abramo, outra descoberta do estudo é que os jovens estão expressando mais publicamente suas demandas. “Na maioria das vezes, essas demandas têm a ver com questões prementes das vidas deles e que também apontam para a necessidade de uma transformação da sociedade e de políticas públicas que respondam a direitos que ainda não estão respondidos”, avalia.
A socióloga disse ainda que as principais demandas dos jovens estão articuladas e precisam ter respostas em várias áreas, como educação, trabalho e segurança. E concluiu: "O Poder Público tem um papel muito importante na garantia dos direitos que os jovens estão demandando”.
"Tropa de Elite" segue os passos do capitão Nascimento (Wagner Moura), que comanda o grupo de intervenção de elite no Rio em 1997
"Tropa de Elite", de José Padilha, foi premiado na noite deste sábado no Festival de Berlim com o Urso de Ouro de melhor filme, durante a cerimônia de encerramento da 58ª edição da Berlinale.
"É difícil expressar sentimientos em qualquer língua. Costa-Gavras é um herói para todos na América Latina, por todos os filmes que fez", disse o diretor brasileiro ao receber o prêmio das mãos do presidente do júri, o diretor franco-grego.
Documentarista de 40 anos, José Padilha, diretor de "Ônibus 174", que relatava o seqüestro de um ônibus da linha de mesmo número no Rio de Janeiro no ano 2000, mostra em seu primeiro longa-metragem de ficção o trabalho dos policiais do BOPE (Batalhão de Operações Especiais), especializados na repressão do tráfico de drogas.
"Tropa de Elite" segue os passos do capitão Nascimento (Wagner Moura), que comanda o grupo de intervenção de elite no Rio em 1997.
O filme tem o respaldo internacional da Weinstein Co., dos irmãos Bob e Harvey Weinstein, conhecidos por terem fundado a Miramax em 1979, vendida a Disney no início dos anos 90, e por terem lançado filmes de Quentin Tarantino e de Michael Moore.
O filme é inspirado no livro "Elite da Tropa".
"Tropa de Elite" se transformou em um sucesso de crítica e bilheteria no Brasil.
O Brasil foi para Berlim com dez filmes, espalhados em diversas mostras.
Outros ganhadores foram Café com Leite, eleito melhor curta da mostra Geração, dedicada a filmes que tenham crianças ou adolescentes como personagens principais, e o curta Tá, que ganhou o Teddy Award, para trabalhos com temática gay.
Confira os ganhadores do 58º Festival de Berlim:
Melhor Filme: Tropa de Elite, de José Padilha
Melhor Ator: Reza Najie
Melhor Atriz: Sally Hawkins (Urso de Prata)
Melhor Diretor: Paul Thomas Anderson (Sangue Negro - Urso de Prata)
Melhor Roteiro: Wang Xiaoshuai (In Love We Trust- Urso de Prata)
Melhor Estréia: Asyl - Park and Love Hotel, de Kumasaka Izuru
A bandeira dos Estados Unidos da América voa alta entre os terroristas albaneses em Kosovo, depois de Pristina previsivelmente desprezar a lei internacional e declarar a sua “independência”. A declaração foi feita hoje pelo líder ex-terrorista e agora "Primeiro-Ministro" de Kosovo, Hashim Thaçi.
Hashim Thaçi está habituado a quebrar a lei, tendo dirigido um dos monstros mais sangüinários jamais visto a desonrar as terras dos Balcãs, o temido Ushtria Çlirimtare e Kosoves, ou o Exército de Liberação de Kosovo (ou KLA, sigla em inglês), que, como ele próprio tem admitido, executou actos de terrorismo para provocar os sérvios a tomarem medidas.
De acordo com seu passado, este assassino, este bandido, este terrorista, agora um político auto-nomeado, teve a audácia não só de desprezar as leis da República de Jugoslávia, e depois as leis da Sérvia, mas agora vai desprezar a lei internacional também, numa reivindicação ridícula de “independência” num território que é, e sempre foi, uma Província da Sérvia. Por quê não proclama a “independência” de um cantinho da Albânia?
Qualquer reconhecimento de Kosovo como um estado independente por qualquer outra parte é uma quebra flagrante da lei internacional, desde que a declaração não tem nenhuma legalidade. De fato, qualquer membro da comunidade internacional que reconhece Kosovo está neste ato dando o consentimento à formação de um estado paria, dirigido pelo mafia albanesa.
Qualquer ato de reconhecimento de Kosovo dá o consentimento aos crimes horrendos perpetrados pelo bando de criminosos internacionais que se esconderam atrás do KLA, que executaram actos chocantes de assassinato, destruição de propriedade, de escravidão sexual, tráfico de drogas e armas.
Qualquer estado que reconhece estes criminosos como um Governo e este, o coração da Sérvia como um país independente, sem uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, quebrará a lei internacional e portanto, tal decisão fará dos Governos de tais países culpados da associação com criminosos.
Desde o Tratado de Westfália em 1648, a história da diplomacia internacional tem tentado estabelecer normas que respeitem as fronteiras existentes das nações soberanas. A Resolução 1244 da ONU reconhece o Kosovo como parte integral da Sérvia e visto que a Organização das Nações Unidas é o único fórum adequado da lei internacional com a jurisdição para determinar o estado de territórios, quer esta “declaração” absurda e ilegal, quer qualquer ato de reconhecimento, constituem uma quebra flagrante.
Que qualquer país que se considere um estado de lei, e que proclama que reconhece a necessidade de respeitar o devido processo legal, possa contemplar o reconhecimento deste bando de criminosos como um Estado é tão previsível como chocante.
O reconhecimento de Kosovo é uma admissão que a regra da lei, a noção de respeitar acordos vinculativos e o preceito de decência comum pertencem ao passado. O Mal ganhou sobre o Bem. O Demónio, afinal, venceu Deus.
Muitos das nações mais ricas e mais poderosas do mundo estão prestes a arremessar um precedente perigoso que basicamente despedaça qualquer tratado, despreza qualquer norma e profana as sepulturas dos milhares de homens e mulheres que laboraram infatigavelmente durante séculos para que a comunidade internacional pudesse ser construída sobre os alicerces da legalidade.
A escritora Danielle Steel é norte-americanaA escritora Danielle Steel, comovida com a luta da cantora Britney Spears contra a loucura, se solidarizou com os pais da popstar após encorajá-los a manter a filha em tratamento psiquiátrico. Steel viveu a dor de ter um filho mentalmente doente que cometeu suicídio. Nick Traina, filho da escritora, recebeu aos 16 anos o diagnóstico de desordem bipolar e, disse a autora, mergulhou numa depressão que o levou a cometer suicídio aos 19 anos, dez anos atrás.
- No caso dos pais de Britney Spears, é preciso que sejam muito amorosos, muito decididos e extremamente persistentes. Cada vez que se sofre uma derrota, é preciso dar a volta por cima e voltar a atacar o problema - disse Steel, em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters.
A escritora, que tem sete filhos biológicos e dois enteados, disse que seu filho deu sinais de doença mental desde pequeno, mas foram precisos anos consultando médicos diferentes até ele ser diagnosticado. Falando no aniversário da criação da Fundação Nick Traina, que financia grupos que trabalham diretamente com jovens com problemas mentais, Steel disse que o problema de Spears "ilustra o drama e o dilema das famílias de pessoas que têm doenças mentais neste país. É uma coisa dificílima."
- Sinto muita pena dela. Se ela for bipolar, pode recuperar-se com o tratamento e a medicação corretos - disse Steel, que já vendeu mais de 560 milhões de cópias de seus livros em todo o mundo.
Britney Spears foi hospitalizada em Los Angeles em janeiro para ser submetida a avaliação psiquiátrica. Eles disseram que sua filha "está passando por uma crise de saúde mental" e que acreditam que "sua vida está em risco".