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Sexta-feira, Julho 11
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CLIQUE AQUIMídia esconde relação Dantas-PSDBAltamiro Borges A efêmera detenção de Daniel Dantas, que durou apenas um dia – bem que num dos telefonemas grampeados um serviçal do banqueiro garantiu que seu patrão temia apenas a Polícia Federal, já que no Supremo Tribunal Federal “ele resolveria tudo” – dá um baita alivio à mídia hegemônica. Afinal, ela estava fazendo de tudo para esconder as relações promiscuas entre o megaespeculador e vários tucanos de alta plumagem. A TV Globo, por exemplo, noticiou a cinematográfica prisão vinculando-a unicamente ao “escândalo do mensalão do PT”. Já a Folha de S.Paulo, da famíglia Frias, deu um título esquizofrênico na capa: “Defesa do banqueiro diz ter papéis contra o PT”. (leia matéria completa clique AQUI)Segunda-feira, Julho 7
Camisa-de-força na internetPostado por Luiz Weis no Obsevatório da Imprensa É um assombro a resolução da Justiça Eleitoral que estende à internet as limitações impostas às emissoras de rádio e TV na cobertura da campanha deste ano. Como diz a Folha – o único dos grandes jornais a falar do assunto hoje, em matéria de página inteira – o ato do TSE “fechou as portas do mundo virtual para a divulgação de informação jornalística e de manifestações individuais sobre candidatos”. [Íntegra da matéria mais adiante.] Nenhum site, blog ou comunidade virtual pode apoiar ou criticar candidatos. Tampouco pode lhes dar tratamento desigual. É um atentado à liberdade de expressão no mais livre dos espaços já criados pelo engenho humano – e que não depende de autorização, permissão ou concessão do poder público para existir, diferentemente de uma estação de rádio ou TV. Dá, por exemplo, no seguinte: Um jornal declara em editorial o seu apoio a um candidato. O editorial não pode sair na sua edição online. Será que ninguém pedirá ao Supremo que remova a mordaça? Um mistério de US$ 20 milhões Furo mundial ou furo na água, a informação do repórter Frédéric Blassel, da sucursal de Zurique da Radio Suisse-Romande, sediada em Berna, de que a Colômbia pagou US$ 20 milhões a um comandante das Farc pela libertação de Ingrid Betancourt e outros 14 reféns, está indo pelo ralo na mídia. O repórter atribuiu a história a uma fonte a quem conhece há 20 anos. É improvável que seja um colombiano. Leva jeito de ser um agente (ou ex) da espionagem francesa. A versão, transmitida na sexta-feira e imediatamente desmentida pelo governo de Bogotá, é importante demais para ser mencionada agora apenas como uma das várias dúvidas que persistem sobre a operação. Bem que um jornal brasileiro – como o Estado, que tem em Genebra um correspondente de primeira linha, Jamil Chade – poderia dar a ficha desse repórter. No site www.swissinvestigation.net/en/directory/ ele figura numa relação de 37 jornalistas investigativos de seu país. Por que não apurar quantas e quais de suas revelações anteriores foram comprovadas – ou “desprovadas”? E quantas e quais vieram desse mesmo informante? Por que não lhe perguntar ainda se ele banca uma informação-bomba como essa com base em uma única fonte? Mais escola, menos desnutrição O ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, critica hoje o jornal por não ter dado destaque à descoberta de que, entre 1996 e 2006, a desnutrição infantil crônica diminuiu 46% no país – e 74% no Nordeste.! “A notícia não apareceu em primeira página; saiu apenas no pé da capa de Cotidiano de sexta”, aponta – até aí coberto de razão. Até aí, porque no sábado, quando a coluna decerto já estava fechada, a Folha se redimiu, publicando uma imperdível entrevista do repórter João Batista Natali com o especialista em saúde pública Carlos Augusto Monteiro, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da USP. Ocupa praticamente uma página. Pode ser lida em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0507200831.htm Monteiro foi um dos responsáveis pela pesquisa, feita para o Ministério da Saúde, que evidenciou a extraordinária mudança nas condições de vida das crianças brasileiras. Segundo ele, o fator mais importante para a queda da desnutrição infantil foi “a melhoria excepcional no nível de escolaridade das mães”. Em 1996, os filhos de mães com menos de 4 anos de escola eram 28% do total. Hoje são 11%. Já os filhos de mães com pelo menos 8 anos de escola passaram de 32% para 62%. É um Brasil que raramente aparece na mídia. “TSE restringe uso de internet na campanha” ”A restrição imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral ao uso da internet como instrumento de propaganda fechou as portas do mundo virtual para a divulgação de informação jornalística e de manifestações individuais sobre candidatos. A limitação está prevista na Resolução nº 22.718, uma espécie de guia para as eleições municipais deste ano. O ponto mais polêmico é o fato de o TSE ter equiparado legalmente a internet ao rádio e à televisão, que são concessões públicas. A legislação eleitoral proíbe a mídia eletrônica de difundir opinião favorável ou contrária a candidato e ainda de dar tratamento diferenciado aos postulantes. Já os jornais e revistas, que são empresas privadas, não sofrem restrições. Na prática, a equiparação significa que as inúmeras ferramentas da internet -como blog, e-mail, web TV, web rádio e páginas de notícias, de bate-papo, de vídeos ou comunidades virtuais- não poderão ser usadas para divulgar imagens ou opiniões que configurem apoio ou crítica a candidatos. A vedação cria situações inusitadas. Um texto desfavorável a uma candidatura, por exemplo, pode ser publicado num jornal impresso, mas não pode ser reproduzido em um blog. Até mesmo o internauta poderá ser multado se criar sites, blogs ou comunidades pró ou contra candidatos. O tribunal entende que quem não pode praticar um ato por meio próprio também não pode praticar por meio de terceiros. Uma consulta e um mandado de segurança foram encaminhados ao TSE para tentar esclarecer as dúvidas sobre a internet na disputa de 2008. A consulta, assinada pelo deputado federal José Fernando de Oliveira (PV-MG), questionava o uso do e-mail, do blog, do link patrocinado (anúncio em site de busca) e de comunidades virtuais como instrumentos de propaganda. Os ministros do TSE não chegaram a um consenso. Enquanto o presidente da corte, Carlos Ayres Britto, defendeu a internet como um espaço de liberdade de comunicação e, por isso, não sujeita a restrições legais, o colega Ari Pargendler apresentou cerca de 45 propostas de controle da rede mundial de computação. O TSE optou pelo voto do ministro Joaquim Barbosa, que propôs postergar a discussão para casos concretos que ainda serão levados ao tribunal. O mandado de segurança foi iniciado pelo Grupo Estado, que criticou a equiparação da internet às empresas de radiodifusão. Sem analisar o tema, o TSE rejeitou o recurso. Advogados de empresas jornalísticas com portais na internet criticaram a resolução. "É uma situação absurda. Um site vinculado a um jornal ou a uma revista pertence a um grupo privado, não é uma concessão pública, não pode ser censurado", disse o advogado do Grupo Estado Afranio Affonso Ferreira Neto. Para ele, um internauta não tem uma postura passiva diante da notícia, ele precisa "navegar" até encontrar o que busca. O advogado Luís Francisco Carvalho Filho, da Folha, também criticou os limites impostos pela resolução. "Como cidadão, tenho o direito de expressar a minha opinião em um blog, de dizer em quem voto e de criticar candidatos." Para Carvalho Filho, a maioria das questões sobre o uso da internet na eleição serão certamente analisadas pela Justiça. Luiz de Camargo Aranha Neto, advogado das Organizações Globo, defendeu o fim da regulamentação da internet, a exemplo do que já ocorre em outros países. "Mesmo porque uma fiscalização é impossível, você pode criar um site num provedor do exterior. Como a Justiça vai impedir?" Para o especialista em direito eletrônico Renato Opice Blum, a tendência é, aos poucos, a legislação brasileira ser menos proibitiva com a internet. "Mais cedo ou mais tarde, nós também teremos uma regulamentação mais equilibrada." No mês passado, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio divulgou uma portaria permitindo o uso de blog, de site e de comunidade do Orkut na eleição. Vetou o uso do e-mail.” Fonte: Observatório da Imprensa Domingo, Julho 6
Libertadores de Ingrid receberam treinamento teatral, revela governo colombianoJulio Cruz NetoBogotá (Colômbia) - Se o governo colombiano pagou um resgate milionário e armou uma grande farsa para viabilizar a tão esperada libertação de Ingrid Betancourt, como alguns acusam, só o tempo dirá. Por ora, a informação disponível e palpável é que os militares apresentaram uma encenação digna dos melhores palcos e enganaram a cúpula das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc). Eles forjaram uma missão humanitária que deveria apenas discutir a libertação, mas acabou levando embora Ingrid e mais 14 reféns. O governo de Álvaro Uribe divulgou ontem (4) um vídeo da Operação Jaque, com cenas que mostram reféns revoltados dando entrevista, sendo algemados e, posteriormente, dentro do helicóptero de resgate, em estado de êxtase ao saber que estavam livres. Tudo parecendo cenas reais, mas editado. O vídeo tem menos de quatro minutos de duração. Na entrevista coletiva que concederam depois da apresentação do vídeo, o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, e os dois principais comandantes das Forcas Armadas forneceram uma série de detalhes sobre as imagens mostradas. Disseram, por exemplo, que agentes de inteligência do Exercito foram treinados durante três semanas por um professor de teatro para convencer as Farc de que integravam a missão humanitária. O líder do grupo seria um italiano, que, de tão bem treinado, teria convencido um guerrilheiro a lhe entregar a arma, uma pistola nove milímetros. Haveria um com aparência de árabe e um australiano que, segundo o ministro, "é a cara" de Paul Hogan, o protagonista do filme Crocodilo Dundee, além de uma falsa equipe de TV. Depois do treinamento cênico, chegou a hora da verdade, e ninguém refugou, conta o ministro. “Quando o presidente assumiu a responsabilidade política, entramos em fase de maior segredo, informando apenas pouco a pouco aos infiltrados o que iriam fazer. Quando dissemos a eles que poderiam ser seqüestrados ou mortos, a afirmação de todos foi enfática: sim, queremos fazer”. O resgate ocorreu depois que os 15 reféns foram levados para uma localidade no sul da Colômbia, onde deveriam se encontrar com Alfonso Cano, o líder das Farc, e iniciar um processo de negociação, segundo o ministro. “Então, era uma missão internacional ‘supostamente’ ajudando o intercâmbio humanitário”, explicou, fazendo sinal de aspas com as mãos na hora de dizer a palavra supostamente, com uma expressão de vitória. “Então vocês enganaram Alfonso Cano?", perguntou um jornalista e o ministro não respondeu. O repórter insistiu e Juan Manuel Santos chamou outro jornalista para a próxima pergunta. Como as Farc raramente se manifestam, o que se tem é a versão do governo e algumas opiniões dissonantes publicadas nos meios de comunicação. Uma delas é da Agência de Noticias Nova Colômbia (Anncol), que divulga informações da guerrilha. O veículo classifica o resgate de “surrealista” e considera estranho o fato de uma organização que atua há 44 anos mostrar tanta desarticulação a ponto de cair no "conto da ajuda humanitária", o que acabou levando embora seu principal troféu, a jóia colombiano-francesa, como Ingrid era chamada no cativeiro. Ingrid esta na França, onde foi muito festejada ao chegar ontem (4). Em Bogotá, colombianos demonstram satisfação pela libertação da ex-senadora e dizem que o enfraquecimento das Farc é o grande trunfo do presidente Álvaro Uribe, que ousou mexer no vespeiro que seus antecessores evitaram. A repercussão vai além. A imprensa divulgou melhorias econômicas que teriam resultado do “efeito Ingrid”, como uma possível animação de investidores estrangeiros, que já estariam vendo a Colômbia como um país mais seguro para injetar recursos, e a valorização do peso frente ao dólar, que se verifica nos últimos dias. A reportagem da Agêencia Brasil presenciou, inclusive, pessoas reclamando da cotação da moeda norte-americana nas casas de câmbio do aeroporto de Bogotá. Fonte: Agência Brasil
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